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Escassez de mão de obra na extração de látex impulsiona cursos de qualificação em São Paulo

Escassez de sangradores de seringueira gera prejuízos e mobiliza parcerias entre Etecs e sindicatos rurais no interior paulista.

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Redação 360 Notícia
31 de maio de 2026 às 11:003 min
Escassez de mão de obra na extração de látex impulsiona cursos de qualificação em São Paulo
Foto: Reprodução
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Produtores do interior de São Paulo investem em cursos de capacitação para formar sangradores de seringueira. A falta de mão de obra já mantém áreas produtivas paradas e força o setor a elevar remunerações para atrair novos trabalhadores, incluindo profissionais de outras áreas.

O setor de heveicultura no interior de São Paulo, um dos maiores polos produtores de borracha natural do país, enfrenta um desafio logístico e operacional severo: a escassez de mão de obra qualificada para a extração do látex. Conhecidos tecnicamente como sangradores, esses profissionais são essenciais para a manutenção da cadeia produtiva, mas a falta de novos trabalhadores tem levado fazendas a paralisarem parte de suas atividades. Diante desse cenário, produtores rurais e sindicatos estão unindo forças para promover cursos de capacitação técnica, visando atrair profissionais de diferentes áreas para o cotidiano do campo.

Em Mirassol, no interior paulista, a busca por essa qualificação reuniu perfis heterogêneos em uma iniciativa promovida pela Etec em parceria com o sindicato rural local. O treinamento, que já formou dezenas de novos profissionais apenas no primeiro semestre deste ano, ensina desde a anatomia da seringueira até as técnicas precisas de corte e manejo, fundamentais para garantir a longevidade da árvore e a pureza do látex extraído. Sem a técnica correta, o risco de ferir o caule de forma irreversível é alto, o que torna a formação teórica e prática um requisito indispensável para quem deseja ingressar no mercado.

A crise de mão de obra afeta diretamente a produtividade regional. Um exemplo crítico é observado em uma propriedade em Neves Paulista, que conta com cerca de 20 mil pés de seringueira. Devido à ausência de sangradores disponíveis, aproximadamente 25% da área produtiva da fazenda está inativa há três anos. Este vácuo operacional gera um prejuízo em cascata, afetando não apenas o faturamento do produtor, mas também a oferta de matéria-prima para indústrias de pneus e calçados. Segundo gestores locais, a oscilação do preço da borracha, que atualmente gira em torno de R$ 4,20 o quilo, é um dos fatores que desestimula a entrada de novos trabalhadores na atividade.

Para tentar reverter o desinteresse, o setor tem buscado valorizar a remuneração. Em algumas propriedades, os produtores já oferecem até 50% do valor da produção como pagamento ao sangrador, uma tentativa de tornar a oferta mais atrativa diante da concorrência com outras frentes agrícolas. O curso de capacitação tem atraído pessoas como Marcel Augusto Ortlan, ex-jogador de futebol com passagens por grandes clubes nacionais, que agora investe na agropecuária. Além dele, familiares de atuais trabalhadores, como a dona de casa Deise Cristina Souza, buscam o certificado para atuar em parceria com seus cônjuges, transformando a extração em uma fonte de renda familiar robusta.

O futuro da produção de borracha no Brasil depende diretamente da capacidade do campo em se renovar e combater a percepção de que o trabalho de sangria é uma atividade desvalorizada ou obsoleta. O avanço tecnológico das ferramentas de extração e a profissionalização garantida pelos cursos técnicos mostram que há espaço para uma carreira estável e rentável no campo. Se as iniciativas de ensino continuarem a crescer e os preços de mercado oferecerem maior estabilidade, a expectativa é de que as áreas paralisadas retornem à operação plena nos próximos anos, consolidando a região de São José do Rio Preto e arredores como a principal engrenagem da borracha brasileira.

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