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Escândalo 'Dark Horse': Operação mira fraude em contrato de R$ 108 mi na Prefeitura de SP

Polícia Civil investiga desvio de R$ 108 milhões de contrato municipal que teria bancado filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 05:003 min
Escândalo 'Dark Horse': Operação mira fraude em contrato de R$ 108 mi na Prefeitura de SP
Foto: Reprodução
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A Polícia Civil de São Paulo investiga o desvio de R$ 108 milhões de um contrato de wi-fi da prefeitura para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. A operação atingiu a sede do governo municipal e endereços de uma empresária ligada a ONGs e produtoras.

A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou, na última segunda-feira (1º), uma operação de busca e apreensão que atingiu o núcleo administrativo da capital paulista e endereços ligados à empresária Karina Ferreira da Gama. O foco das investigações recai sobre um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental pertencente a Karina. O acordo previa a instalação de 5 mil pontos de acesso wi-fi em diversas regiões da cidade, mas os investigadores suspeitam que os recursos públicos possam ter tido um destino muito diferente do planejado pela administração municipal.

O centro do escândalo, apelidado de caso "Dark Horse", reside na possível triangulação de verbas. A suspeita é de que o dinheiro proveniente do contrato de internet pública tenha sido desviado para financiar a produção de uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O filme, intitulado "Dark Horse", é uma realização da produtora Go Up, que também é de propriedade de Karina Ferreira da Gama. A produção ganhou contornos internacionais com a escalação do ator norte-americano Jim Caviezel para interpretar o ex-mandatário brasileiro, o que elevou os custos e a visibilidade do projeto cinematográfico, agora sob a mira da Justiça por suposto uso indireto de dinheiro público municipal.

As investigações apontam que a rede de relações financeiras em torno da obra é complexa e envolve figuras de peso no cenário nacional. Além dos repasses da prefeitura, o financiamento do filme contou com a participação massiva do empresário Daniel Vorcaro, que teria bancado mais de 90% do orçamento total da produção. A participação de Vorcaro gerou polêmica adicional devido a reuniões mantidas entre ele e o senador Flávio Bolsonaro em um período no qual o banqueiro utilizava tornozeleira eletrônica. Parlamentares e ex-integrantes do governo, como Eduardo Bolsonaro e Mário Frias, também foram citados em discussões sobre o suporte financeiro dado ao projeto, evidenciando o entrelaçamento entre interesses políticos e empreendimentos privados.

Para o leitor brasileiro, o caso levanta alertas críticos sobre a fiscalização de emendas parlamentares e parcerias com o terceiro setor. Descobriu-se que deputados de siglas opostas, como PL e PT, destinaram mais de R$ 700 mil a entidades ligadas à mesma produtora responsável pelo filme. Esse cenário reforça a fragilidade dos mecanismos de controle sobre como o dinheiro dos impostos é aplicado após ser repassado a ONGs. O fato de uma infraestrutura essencial, como o acesso gratuito à internet para a população periférica de São Paulo, estar supostamente vinculada ao financiamento de uma obra audiovisual de cunho político acirra o debate sobre a prioridade dos gastos públicos e a ética na gestão de contratos bilionários.

Atualmente, as autoridades buscam rastrear o fluxo financeiro completo para determinar exatamente quanto do valor pago pela prefeitura foi convertido para a Go Up e para o pagamento de fornecedores da cinebiografia. O desdobramento jurídico pode resultar em processos por improbidade administrativa, peculato e fraude em licitação contra os envolvidos. Do lado político, a prefeitura de São Paulo enfrenta pressão para esclarecer os critérios de seleção do Instituto Conhecer Brasil e por que a fiscalização do cronograma de instalação dos pontos de wi-fi não detectou as irregularidades precocemente. O caso "Dark Horse" promete ser um marco na investigação de como produções culturais podem ser utilizadas como fachada para desvios de recursos estruturantes.

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