Empresas estrangeiras abandonam Cuba após pressão e novas sanções dos EUA
Gigantes do turismo e da mineração encerram operações em Cuba diante de ameaças de sanções do Tesouro americano contra conglomerado militar.

A economia de Cuba sofre um duro golpe com a saída de grandes redes hoteleiras e mineradoras estrangeiras devido às sanções dos EUA contra o grupo militar Gaesa. Especialistas preveem que 2026 será o pior ano econômico da ilha em sete décadas, agravando o isolamento financeiro do país.
O cenário econômico da ilha caribenha enfrenta um de seus momentos mais críticos das últimas décadas com a saída em massa de corporações estrangeiras. A debandada é resultado direto da pressão exercida pelo governo dos Estados Unidos, que endureceu as sanções contra entidades ligadas ao Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), um conglomerado controlado pelas Forças Armadas de Cuba. Com a aproximação dos prazos estabelecidos pelo Departamento do Tesouro americano para o encerramento de vínculos com essa organização militar-econômica, setores vitais como o turismo e a mineração já registram perdas significativas de parceiros internacionais fundamentais para a entrada de divisas no país.
O agravamento da crise diplomática e econômica remonta à assinatura de ordens executivas por parte da administração de Donald Trump, que classificou a nação insular como uma "ameaça extraordinária" à segurança nacional estadunidense. Na prática, Washington tem focado seus esforços em asfixiar as fontes de receita do regime de Havana, impondo bloqueios petrolíferos e visando especificamente o Gaesa. Fundado nos anos 1990 pelo ex-presidente Raúl Castro, o grupo cresceu para se tornar o motor financeiro da ilha, controlando, segundo estimativas do Departamento de Estado dos EUA, cerca de 70% da economia cubana e gerindo ativos que somam aproximadamente 18 bilhões de dólares. Para a Casa Branca e figuras como o secretário de Estado Marco Rubio, a estrutura serve apenas para sustentar o autoritarismo e a corrupção estatal.
Os efeitos práticos dessas sanções são visíveis no setor hoteleiro, pilar da economia cubana. A gigante espanhola Meliá Hotels International, uma das pioneiras na abertura comercial da ilha após o fim da União Soviética, confirmou a interrupção da gestão em 15 unidades que mantinha em parceria com o braço militar cubano. Outras grandes redes, como a também espanhola Iberostar e a canadense Blue Diamond, anunciaram medidas semelhantes, reduzindo drasticamente sua presença ou abandonando operações inteiras para evitar represálias financeiras de Washington. A punição americana para quem descumpre as diretrizes do Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros) pode incluir o congelamento de contas, a exclusão do sistema financeiro global e a proibição total de negócios com bancos americanos.
O setor extrativista também sofre abalos profundos. A mineradora canadense Sherritt, que operava no país desde os anos 1990, foi a primeira a formalizar a saída total de seus projetos de níquel e cobalto. Especialistas projetam um cenário sombrio para o curto e médio prazo. Analistas econômicos apontam que 2026 pode ser registrado como o período de maior retração econômica em sete décadas de história cubana. A saída dessas empresas não representa apenas o fechamento de postos de trabalho, mas a perda de tecnologia, know-how logístico e canais de comercialização internacional que o governo comunista, isolado, terá extrema dificuldade em substituir, especialmente em um momento de desabastecimento interno e infraestrutura energética precária.
Para o leitor brasileiro, a situação em Cuba serve como um termômetro da geopolítica regional e da influência das sanções econômicas como ferramenta de política externa. A saída acelerada de investimentos estrangeiros empurra Cuba para uma dependência ainda maior de aliados distantes, enquanto a população enfrenta as consequências diretas de uma economia asfixiada. Nos próximos meses, espera-se que o governo cubano tente buscar diálogos diplomáticos ou alternativas de comércio com blocos menos sensíveis ao sistema financeiro americano, porém, o vazio deixado por titãs do turismo europeu e canadense deixa uma lacuna difícil de preencher, sinalizando que a ilha caminha para um isolamento econômico sem precedentes desde o chamado "Período Especial".






