Em tempos de relações frágeis, não aprendi a fingir
Prefiro o incômodo da verdade à doçura ensaiada de um afeto raso.

Prefiro o incômodo da verdade à doçura ensaiada de um afeto raso.
Em tempos de relações frágeis, não aprendi a fingir
Em tempos de laços frouxos, de afeto por conveniência, onde palavras se dizem fáceis e silêncios se evitam por medo — eu sigo inteiro. Mesmo quebrado, não aprendi a fingir.
Não sei sorrir quando dói, nem disfarçar o peso no peito. Meus olhos entregam o que a boca não diz, minha ausência grita quando a alma já não cabe no lugar.
Prefiro o incômodo da verdade à doçura ensaiada de um afeto raso. Prefiro o olhar que sustenta à presença que escapa.
Enquanto muitos escolhem o jogo, eu escolho o risco. Enquanto esperam o aplauso, eu ofereço silêncio, mas um silêncio sincero.
Sim, eu erro — por inteiro. Amo — sem medida. Parto — quando não há espaço. Mas fingir, isso nunca soube. Nem quis.
Que fiquem os que não temem profundezas, os que sabem nadar no escuro, os que não se assustam com o barulho de um coração verdadeiro.
Porque, em tempos de relações frágeis, ser real é quase um ato de resistência.
E eu resisto.
Antonio Marcos de Souza, 30 de julho de 2025






