Política

Eleitores criticam decisão de Moraes de proibir visitas a Bolsonaro, aponta Datafolha

Sondagem aponta que 59% desaprovam proibição de visitas familiares; maioria defende manutenção do regime domiciliar para o ex-presidente.

Redação 360 Notícia
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4 de agosto de 2026 às 11:003 min
Eleitores criticam decisão de Moraes de proibir visitas a Bolsonaro, aponta Datafolha
Foto: Reprodução
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Pesquisa Datafolha indica que 59% da população desaprova a decisão de Alexandre de Moraes de impedir visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, que cumpre prisão domiciliar.

Uma nova sondagem realizada pelo instituto Datafolha, divulgada nesta terça-feira (28), aponta que a maioria dos eleitores brasileiros desaprova a recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de restringir o contato entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. De acordo com os dados coletados, 59% dos entrevistados consideram que o magistrado agiu de forma negativa ao impedir as visitas familiares no contexto do cumprimento da pena do ex-mandatário. Por outro lado, 36% dos participantes da pesquisa avaliaram a medida de Moraes como correta, enquanto uma pequena parcela de 2% considerou a ação neutra e 4% não souberam opinar sobre o tema.

O cenário que envolve essa percepção pública está diretamente ligado às condições da prisão de Jair Bolsonaro. Atualmente, o ex-presidente cumpre uma sentença total de 27 anos e 3 meses de reclusão. No entanto, desde o dia 24 de março deste ano, Bolsonaro obteve o direito de permanecer em regime de prisão domiciliar por questões humanitárias. Essa concessão, assinada pelo próprio ministro Alexandre de Moraes, teve um prazo inicial estipulado de 90 dias, visando permitir cuidados específicos de saúde e o cumprimento da pena em ambiente controlado, porém fora de uma unidade prisional convencional. A restrição imposta às visitas do filho Flávio Bolsonaro, contudo, tornou-se o ponto central da polêmica medida judicial que agora é contestada por parte considerável da população.

O levantamento do Datafolha também se aprofundou na opinião dos eleitores sobre a manutenção da modalidade da pena. Os resultados indicam uma divisão significativa, mas com vantagem para o modelo atual: 59% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente deve continuar cumprindo sua sentença em domicílio. Em contrapartida, 35% dos ouvidos defendem que ele deveria retornar ao regime fechado em uma unidade penitenciária. O grupo de indecisos ou que preferiu não responder somou 6%. Esses números refletem a polarização contínua do debate público em relação às ações judiciais que envolvem figuras de destaque na política nacional e os limites das decisões monocráticas no âmbito da Suprema Corte.

A implicação desses dados sugere um desgaste na percepção da imparcialidade ou da proporcionalidade das medidas restritivas aplicadas a réus condenados em processos de alta visibilidade. Especialistas apontam que, embora o Judiciário possua prerrogativas para limitar comunicações visando a preservação da ordem processual, a proibição de visitas de parentes diretos, como no caso de pai e filho, é vista por uma fatia do eleitorado como uma medida excessivamente rigorosa ou de caráter pessoal. A pesquisa evidencia que a opinião pública está atenta não apenas à condenação em si, mas ao tratamento humanitário e aos direitos fundamentais de convívio familiar garantidos pela legislação penal brasileira, mesmo em casos de alta complexidade política.

Os próximos passos jurídicos devem envolver a análise de pedidos da defesa para a flexibilização dessas restrições, utilizando o respaldo da opinião pública e argumentos sobre o direito à convivência familiar. Enquanto isso, o prazo de 90 dias para a prisão domiciliar humanitária se aproxima de um novo marco de avaliação, onde Moraes deverá decidir pela renovação do benefício ou pelo endurecimento das regras de custódia. O acompanhamento das pesquisas de opinião continuará a ser um termômetro relevante para observar como a sociedade reage às tensões entre o cumprimento da lei e as interpretações dadas pela cúpula do Judiciário em processos que moldam o futuro político do país.

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