E o coração? Ele Sempre Pulsa Diferente.
Para mim, depois de 39 anos, ainda lateja, corta, dilacera.

Para mim, depois de 39 anos, ainda lateja, corta, dilacera.
Me tornei filho do tempo, de um tempo que não volta, que não pode ser reescrito nem editado. Um tempo que, se pudesse, seria diferente. Mas como saber? Não tem como. A vida é uma roleta russa, imprevisível demais. O que se é hoje jamais será igual amanhã, e assim foi a minha vida.
Hoje, sem motivo aparente, senti meu coração bater de um jeito diferente, acelerado. Logo percebi: era saudade. Depois de 39 anos, ainda pulsa, corta, dilacera. Não sei explicar o que é ser mãe; por mais que eu tente encontrar palavras e descrever, nunca parece suficiente. Tenho certeza de que, no novo mundo prometido por Jeová, ela saberá o quanto fez falta e o quanto foi amada.

Infelizmente, nunca contamos com os imprevistos da vida, e por isso acho que nenhum dos meus irmãos, nem eu, tivemos a oportunidade de dizer: “Mãe, eu te amo!”. Pelo menos eu nunca disse, e isso me mata por dentro. Mãe, de verdade, também nunca pergunta aos filhos: “Filho, você me ama?”. Ela nunca perguntou, porque no fundo sabia o quanto seus filhos a amavam.
Já escrevi tanto sobre ela que, às vezes, como agora, me faltam palavras; só restam o lamento, a solidão e a falta, muita falta.
Mas eu gostaria de ter dito que amava pelo menos uma única vez. Gostaria de ter crescido junto, de ter mostrado. A vida, porém, nos deu caminhos diferentes.

Foto original
Antonio Marcos de Souza






