Economia

Dólar sobe com novas tarifas comerciais de Trump e tensão geopolítica no Oriente Médio

Moeda americana opera em valorização após governo Trump anunciar nova sobretaxa de 12,5% a produtos brasileiros. Tensionamento no Oriente Médio eleva preços do petróleo.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 13:003 min
Dólar sobe com novas tarifas comerciais de Trump e tensão geopolítica no Oriente Médio
Foto: Reprodução
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O dólar iniciou esta quarta-feira em alta, impulsionado por novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e pela instabilidade no Oriente Médio. Washington anunciou uma sobretaxa de 12,5% alegando questões de trabalho forçado, enquanto o petróleo sobe diante do impasse nuclear com o Irã.

O cenário econômico global e doméstico amanheceu sob forte pressão nesta quarta-feira, refletindo diretamente no valor da moeda norte-americana no Brasil. Logo na abertura dos trabalhos financeiros, o dólar registrou uma valorização de 0,14%, sendo negociado na casa dos R$ 5,01. Este movimento de alta é impulsionado por um conjunto de fatores que combina o endurecimento das políticas comerciais dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump e o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Enquanto a moeda sobe, os investidores brasileiros aguardam com cautela o início das operações no Ibovespa, que só abrem às 10h, tentando precificar as novas barreiras tarifárias impostas às exportações nacionais.

A principal notícia que impacta negativamente o mercado brasileiro é o anúncio, realizado na noite de terça-feira pelo governo dos Estados Unidos, de uma nova sobretaxa sobre produtos importados do Brasil. O governo americano propôs uma tarifa adicional de 12,5%, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Esta medida surge apenas um dia após uma outra taxação de 25% ter sido anunciada, gerando um clima de incerteza sobre o futuro das relações comerciais entre os dois países. A justificativa de Washington para tal agressividade comercial reside em uma investigação que alega falhas do Brasil e de outras 53 nações no combate ao trabalho forçado, o que, na visão americana, cria uma concorrência desleal para a indústria e mão de obra local. Existe o receio real, inclusive compartilhado pelo Itamaraty, de que as taxas sejam cumulativas, podendo elevar o custo de entrada de produtos brasileiros nos EUA em até 37,5%.

No campo internacional, a instabilidade no Oriente Médio continua sendo o fiel da balança para o preço das commodities e o apetite por risco. A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel tem provocado mensagens contraditórias e suspendido esperanças de uma trégua duradoura. Embora o presidente Donald Trump tenha negado a interrupção das negociações de paz, autoridades iranianas em Teerã mantêm um discurso de paralisação dos diálogos após ataques recentes no Líbano. Nesta quarta-feira, Trump chegou a afirmar que o Irã teria concordado em não desenvolver armamento nuclear e expressou o desejo de se encontrar com o líder supremo Mojtaba Khamenei, mas a falta de garantias concretas mantém o mercado em alerta máximo, especialmente o setor de energia.

As consequências dessa volatilidade geopolítica são imediatamente sentidas nos preços do petróleo. O barril do tipo Brent, que serve como referência internacional, registrou uma alta superior a 2%, aproximando-se da marca de US$ 98. Da mesma forma, o petróleo WTI, negociado nos EUA, seguiu a mesma tendência de valorização. Para o Brasil, o encarecimento do petróleo é um fator de inflação importada, o que também pressiona o câmbio e a política de preços interna. Enquanto isso, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reforça que o alívio das sanções econômicas ao Irã está condicionado à interrupção total das atividades nucleares, um impasse que parece longe de uma resolução simples e rápida.

Para o investidor brasileiro, o cenário exige vigilância redobrada. Além do impacto direto nas empresas exportadoras, que agora enfrentam tarifas proibitivas nos Estados Unidos — possivelmente atingindo setores como o de aço, sucos e máquinas —, há o reflexo nas bolsas globais. Os índices futuros em Wall Street operam sem uma direção clara, enquanto as bolsas europeias registram baixas em sua maioria. A médio prazo, a manutenção dessas tarifas americanas pode forçar o Brasil a buscar novos mercados ou a apresentar contestações em organismos internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC). O desfecho dessas tensões comerciais e bélicas determinará se o dólar continuará sua trajetória de valorização ou se haverá espaço para uma correção técnica nas próximas sessões.

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