Economia

Dólar opera em queda sob reflexo de ameaças comerciais dos EUA e crise no Irã

Ameaça de sobretaxa americana e tensões geopolíticas no Oriente Médio ditam o ritmo do câmbio e das bolsas globais nesta terça-feira.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 13:003 min
Dólar opera em queda sob reflexo de ameaças comerciais dos EUA e crise no Irã
Foto: Reprodução
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O dólar opera em queda de 0,26% com investidores reagindo às ameaças de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e às novas tensões no Oriente Médio envolvendo o Irã. O mercado interno também observa o aumento das previsões de inflação para 2026.

O mercado financeiro brasileiro iniciou a jornada desta terça-feira (2) operando em um terreno de volatilidade e ajustes técnicos, com o dólar registrando uma leve queda de 0,26% nas primeiras horas de negociação, sendo cotado na casa dos R$ 5,00. Esse movimento de abertura reflete uma tentativa de acomodação dos ativos domésticos frente a um cenário internacional extremamente conturbado, marcado por novos ruídos diplomáticos e comerciais vindos de Washington. Ao mesmo tempo em que os investidores monitoram a cotação da moeda americana, as atenções se voltam para a abertura da B3, onde o Ibovespa busca encontrar um ponto de equilíbrio após recentes pressões inflacionárias e incertezas externas.

O principal ponto de atenção para os exportadores brasileiros e para os agentes do mercado financeiro é a nova ameaça tarifária imposta pelo governo de Donald Trump. Baseando-se na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, o governo americano propôs a aplicação de uma sobretaxa de até 25% sobre diversos produtos oriundos do Brasil. A justificativa de Washington reside em uma investigação comercial que classificou certas práticas econômicas brasileiras como "irrazoáveis" e prejudiciais aos interesses dos EUA. Embora a medida ainda não esteja em pleno vigor, havendo previsão de consultas públicas e uma audiência formal apenas para o mês de julho, o anúncio gera imediata insegurança jurídica e pressão sobre o fluxo cambial futuro.

Para o setor produtivo nacional, a lista de exceções traz um certo alívio temporário, mas não elimina a preocupação estrutural. Itens estratégicos da pauta exportadora brasileira, como carnes, café, aeronaves, fertilizantes e terras raras, não devem ser atingidos pela nova alíquota proposta. Contudo, a sinalização agressiva dos Estados Unidos — um dos maiores parceiros comerciais do Brasil — sugere um endurecimento nas relações bilaterais que pode afetar outros setores da indústria transformadora. A decisão final sobre a aplicação dessas sanções deve ocorrer até meados do próximo mês, o que coloca o comércio exterior brasileiro em um compasso de espera estratégico e diplomático.

No cenário geopolítico global, a escalada de tensões no Oriente Médio segue como o principal motor da instabilidade nos preços das commodities. O impasse direto entre os Estados Unidos e o Irã, intensificado por ataques recentes envolvendo Israel e o Líbano, estancou as conversas por um cessar-fogo. Esse clima bélico pressiona diretamente o preço do petróleo nos mercados internacionais, com o barril do tipo Brent e o WTI registrando altas expressivas de 4% a 6% após novos avanços militares na região. Para o investidor brasileiro, o encarecimento do petróleo é sinônimo de pressão inflacionária doméstica, uma vez que o preço dos combustíveis é sensível às variações da cotação internacional da commodity e do próprio câmbio.

Internamente, as perspectivas econômicas apresentadas pelo Boletim Focus do Banco Central reforçam a cautela. Pela 12ª semana consecutiva, o mercado financeiro elevou a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o ano de 2026, agora ajustada para 5,09%. Essa deterioração das expectativas é um reflexo direto dos custos de energia e logística influenciados pelo cenário externo. Apesar desse horizonte desafiador para a inflação, os economistas mantêm uma visão resiliente para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a longo prazo e projetam uma queda gradual nos juros nos próximos anos, desde que o ambiente global não sofra novos choques de oferta que forcem uma política monetária mais restritiva pelo Banco Central.

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