Dólar opera em queda sob reflexo de ameaças comerciais dos EUA e crise no Irã
Ameaça de sobretaxa americana e tensões geopolíticas no Oriente Médio ditam o ritmo do câmbio e das bolsas globais nesta terça-feira.

O dólar opera em queda de 0,26% com investidores reagindo às ameaças de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e às novas tensões no Oriente Médio envolvendo o Irã. O mercado interno também observa o aumento das previsões de inflação para 2026.
O mercado financeiro brasileiro iniciou a jornada desta terça-feira (2) operando em um terreno de volatilidade e ajustes técnicos, com o dólar registrando uma leve queda de 0,26% nas primeiras horas de negociação, sendo cotado na casa dos R$ 5,00. Esse movimento de abertura reflete uma tentativa de acomodação dos ativos domésticos frente a um cenário internacional extremamente conturbado, marcado por novos ruídos diplomáticos e comerciais vindos de Washington. Ao mesmo tempo em que os investidores monitoram a cotação da moeda americana, as atenções se voltam para a abertura da B3, onde o Ibovespa busca encontrar um ponto de equilíbrio após recentes pressões inflacionárias e incertezas externas.
O principal ponto de atenção para os exportadores brasileiros e para os agentes do mercado financeiro é a nova ameaça tarifária imposta pelo governo de Donald Trump. Baseando-se na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, o governo americano propôs a aplicação de uma sobretaxa de até 25% sobre diversos produtos oriundos do Brasil. A justificativa de Washington reside em uma investigação comercial que classificou certas práticas econômicas brasileiras como "irrazoáveis" e prejudiciais aos interesses dos EUA. Embora a medida ainda não esteja em pleno vigor, havendo previsão de consultas públicas e uma audiência formal apenas para o mês de julho, o anúncio gera imediata insegurança jurídica e pressão sobre o fluxo cambial futuro.
Para o setor produtivo nacional, a lista de exceções traz um certo alívio temporário, mas não elimina a preocupação estrutural. Itens estratégicos da pauta exportadora brasileira, como carnes, café, aeronaves, fertilizantes e terras raras, não devem ser atingidos pela nova alíquota proposta. Contudo, a sinalização agressiva dos Estados Unidos — um dos maiores parceiros comerciais do Brasil — sugere um endurecimento nas relações bilaterais que pode afetar outros setores da indústria transformadora. A decisão final sobre a aplicação dessas sanções deve ocorrer até meados do próximo mês, o que coloca o comércio exterior brasileiro em um compasso de espera estratégico e diplomático.
No cenário geopolítico global, a escalada de tensões no Oriente Médio segue como o principal motor da instabilidade nos preços das commodities. O impasse direto entre os Estados Unidos e o Irã, intensificado por ataques recentes envolvendo Israel e o Líbano, estancou as conversas por um cessar-fogo. Esse clima bélico pressiona diretamente o preço do petróleo nos mercados internacionais, com o barril do tipo Brent e o WTI registrando altas expressivas de 4% a 6% após novos avanços militares na região. Para o investidor brasileiro, o encarecimento do petróleo é sinônimo de pressão inflacionária doméstica, uma vez que o preço dos combustíveis é sensível às variações da cotação internacional da commodity e do próprio câmbio.
Internamente, as perspectivas econômicas apresentadas pelo Boletim Focus do Banco Central reforçam a cautela. Pela 12ª semana consecutiva, o mercado financeiro elevou a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o ano de 2026, agora ajustada para 5,09%. Essa deterioração das expectativas é um reflexo direto dos custos de energia e logística influenciados pelo cenário externo. Apesar desse horizonte desafiador para a inflação, os economistas mantêm uma visão resiliente para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a longo prazo e projetam uma queda gradual nos juros nos próximos anos, desde que o ambiente global não sofra novos choques de oferta que forcem uma política monetária mais restritiva pelo Banco Central.
Leia também
Braskem entra em recuperação extrajudicial para renegociar passivos bilionários e manter operações

Braskem oficializa pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívida bilionária

Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial após crise geológica em Maceió

Produção de petróleo no Oriente Médio enfrentará restrições até o fim de 2027

Sobre este conteúdo
Autor: Editores
Publicado: 2 de junho de 2026 às 10:00
Atualizado: 8 de junho de 2026 às 16:36
Fonte: apuração editorial e informações públicas disponíveis
Quando houver fonte externa, a matéria informa a origem usada como base. A redação do 360 Notícia organiza, contextualiza e atualiza o conteúdo para facilitar a compreensão do leitor.

