Economia

Desenrola 2.0 atinge R$ 20 bilhões em renegociações e reduz dívidas familiares no Brasil

Balanço divulgado pela Casa Civil aponta 1,4 milhão de acordos fechados com desconto médio de 85% e anuncia nova fase para quem paga em dia.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 15:003 min
Desenrola 2.0 atinge R$ 20 bilhões em renegociações e reduz dívidas familiares no Brasil
Foto: Reprodução
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O programa Desenrola 2.0 já movimentou R$ 20 bilhões em dívidas de famílias brasileiras, com descontos médios de 85%. Com foco em quem ganha até cinco salários-mínimos, a iniciativa reduziu o estoque de dívidas para R$ 2,7 bilhões e prepara nova fase para bons pagadores.

O governo federal apresentou nesta quarta-feira (3) um balanço expressivo sobre os resultados iniciais do Desenrola 2.0, a nova fase do programa de renegociação de débitos que busca aliviar o peso financeiro sobre as famílias brasileiras. De acordo com dados divulgados pela ministra substituta da Casa Civil, Miriam Belchior, durante uma reunião ministerial, o programa já alcançou a marca de R$ 20 bilhões em dívidas renegociadas. Esse montante reflete o esforço de cerca de 1,4 milhão de brasileiros que buscaram regularizar sua situação perante o sistema bancário desde o relançamento da iniciativa no início de maio deste ano.

Um dos pontos mais detalhados pela ministra foi a magnitude do abatimento concedido aos devedores. Com um desconto médio de 85%, o valor total das pendências financeiras, que somava os citados R$ 20 bilhões, foi reduzido para um saldo de R$ 2,7 bilhões após os acordos. O Desenrola 2.0 é focado especificamente em brasileiros que possuem renda mensal de até cinco salários-mínimos e que enfrentam dificuldades para quitar empréstimos contraídos até 31 de janeiro de 2026. O perfil das dívidas abrange atrasos que variam entre 90 dias e dois anos, concentrando-se em modalidades de consumo rápido, como o rotativo do cartão de crédito, o cheque especial e o Crédito Direto ao Consumidor (CDC).

As condições estabelecidas para esta etapa do programa são rigorosas quanto às taxas, visando garantir que o cidadão consiga honrar as novas parcelas. Os descontos variam entre 30% e 90%, com uma taxa de juros limitada a 1,99% ao mês. O parcelamento pode ser estendido em até 48 meses, com uma carência de 35 dias para o vencimento da primeira parcela. Além disso, há um teto para o valor da nova dívida após o desconto, estipulado em R$ 15 mil por CPF em cada instituição financeira. Uma inovação importante é a permissão para que o trabalhador utilize até 20% do saldo de sua conta no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou o valor mínimo de R$ 1 mil (o que for maior), para amortizar ou liquidar os débitos.

Além do foco nas famílias, o balanço revelou o impacto em outras frentes. No âmbito do Desenrola Fies, voltado para estudantes com dívidas de financiamento estudantil, já foram concretizadas 82 mil renegociações. Já o Desenrola Pequenas Empresas, focado no setor corporativo, movimentou R$ 11 bilhões em 85 mil operações distintas. O governo ressaltou que a utilização de recursos "esquecidos" em contas bancárias pelo sistema financeiro nacional serve como um dos pilares de garantia para viabilizar esses acordos, protegendo as instituições bancárias de eventuais inadimplências futuras e incentivando a oferta de descontos agressivos.

Para o futuro imediato, a gestão federal planeja expandir o programa com a criação do "Desenrola Adimplentes". Esta nova modalidade, conforme adiantado pela ministra Miriam Belchior, terá como alvo os cidadãos que, apesar de estarem com as contas em dia, enfrentam um comprometimento excessivo da renda para manter a pontualidade. O objetivo é oferecer melhores condições de refinanciamento para quem "sua para pagar", evitando que esses consumidores caiam na inadimplência. A expectativa é que essa medida ajude a reaquecer a economia brasileira ao liberar o orçamento doméstico para o consumo de bens e serviços, reduzindo a pressão exercida pelo endividamento crônico no país.

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