Desafios da sucessão familiar ameaçam a continuidade do agronegócio em Santa Catarina
Com queda drástica na população rural, iniciativas públicas buscam garantir que jovens assumam a gestão das propriedades para manter produção de alimentos.

Santa Catarina implementa programas de capacitação, moradia e crédito para combater o êxodo rural e garantir a continuidade da agricultura familiar diante do envelhecimento dos produtores.
O cenário rural de Santa Catarina enfrenta uma transformação demográfica profunda, marcada pelo envelhecimento dos produtores e pela saída constante das novas gerações para os centros urbanos. Enquanto na metade do século passado a grande maioria dos catarinenses residia no campo, dados recentes do IBGE apontam que essa fatia caiu para cerca de 16%. O fenômeno do êxodo rural, intensificado pela busca por carreiras acadêmicas e corporativas nas cidades, coloca em xeque a continuidade de milhares de propriedades familiares que compõem a base econômica do estado.
Para mitigar o risco de abandono das terras e profissionalizar a gestão agrícola, órgãos como a Epagri e o Senar-SC têm intensificado treinamentos focados em planejamento sucessório. A estratégia visa mostrar aos jovens que a atividade rural pode ser lucrativa e tecnologicamente avançada. Iniciativas como o Programa Jovem Aprendiz Rural e os Centros de Educação Profissional (Cedups) oferecem não apenas ensino técnico especializado, mas também incentivos financeiros e vivência prática para que estudantes enxerguem no agronegócio uma oportunidade de carreira viável.
Além da educação, o governo estadual e o governo federal investem em infraestrutura e crédito para tornar a vida no campo mais atrativa. Novas linhas de financiamento habitacional voltadas especificamente para produtores entre 18 e 29 anos tentam assegurar a estabilidade social necessária para a permanência. Em âmbito nacional, a aprovação da Política Nacional de Juventude e Sucessão Rural reforça que a renovação geracional no campo é uma questão de segurança alimentar, integrando acesso à terra e formação cooperativa como pilares para o futuro do setor.




