Criança autista é resgatada após vídeo de agressões por familiar vir à tona no Paraná
Menino de 10 anos foi vítima de socos e tapas dentro de casa; Ministério Público e Polícia Civil investigam o caso em Paiçandu.

Uma criança autista de 10 anos foi resgatada em Paiçandu, no Paraná, após vídeos de agressões cometidas por sua tia serem denunciados. O Conselho Tutelar e o Ministério Público acompanham o caso, que resultou na retirada de outras quatro crianças do ambiente familiar insalubre.
Um caso de violência doméstica contra uma criança diagnosticada com transtorno do espectro autista (TEA) mobilizou as autoridades de segurança e assistência social na cidade de Paiçandu, região norte do Paraná. O incidente veio à tona após a circulação de um vídeo perturbador que mostra o menino, de apenas 10 anos, sendo submetido a agressões físicas e verbais dentro de sua própria residência. As imagens, que registram momentos de clara vulnerabilidade da vítima, mostram uma mulher desferindo tapas e socos contra a criança em cima de uma cama, acompanhados de ameaças gritadas. A agressora foi identificada como tia do menor, e o material serviu como prova crucial para a intervenção imediata dos órgãos de proteção.
A denúncia chegou ao Conselho Tutelar de Paiçandu de forma anônima na última terça-feira (3). Diante da gravidade das evidências audiovisuais, a instituição agiu com rapidez, acionando a Polícia Civil e o Ministério Público do Paraná (MP-PR) para garantir o afastamento do agressor e a segurança do menino. Segundo informações apuradas, a vítima vivia sob a responsabilidade legal da avó paterna desde o início de 2024. A dinâmica familiar e os motivos que levaram a tia a estar presente e exercer tal nível de violência ainda estão sob investigação rigorosa das autoridades competentes, que buscam entender se esse tipo de tratamento era recorrente no ambiente doméstico.
Para o leitor brasileiro, casos como este trazem à tona o debate necessário sobre a proteção de indivíduos neurodivergentes, que muitas vezes possuem dificuldades adicionais de comunicação para denunciar abusos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei Berenice Piana (Lei 12.764/12), que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, são instrumentos fundamentais que reforçam a necessidade de um olhar atento do Estado e da sociedade. A agressão a uma criança autista é considerada uma violação gravíssima, pois desconsidera as necessidades de suporte específicas e a condição de hiper ou hiposensibilidade que muitos desses indivíduos apresentam, tornando a tortura psicológica e física ainda mais traumática.
Após a retirada da casa, o menino de 10 anos passou por procedimentos padrão de acolhimento. Na tarde de terça-feira, ele foi submetido a uma escuta especializada — técnica conduzida por profissionais capacitados para ouvir vítimas de violência sem causar a revitimização — e, na quarta-feira (4), realizou o exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) para documentar as lesões. Como medida de precaução e investigação de possíveis negligências sistêmicas na residência, outras quatro crianças, filhas da mulher que aparece nas imagens agredindo o sobrinho, também foram removidas do convívio familiar e encaminhadas a um abrigo institucional sob a tutela do Estado.
Atualmente, o menino está sob os cuidados temporários de um tio, enquanto o Poder Judiciário analisa a guarda definitiva e avalia qual ambiente será mais seguro e adequado para seu desenvolvimento e recuperação psicológica. O Ministério Público do Paraná confirmou que já ingressou com medidas judiciais na Vara da Infância e da Juventude. Até o momento, a tia e a avó paterna não foram presas, mas ambas respondem ao inquérito policial. O caso segue sob sigilo de justiça para preservar a honra e a integridade dos menores envolvidos, conforme preconiza a legislação nacional. O desfecho deve servir de alerta para a importância da denúncia anônima via canais como o Disque 100, fundamentais para interromper ciclos de violência oculta entre quatro paredes.





