Coordenação nega mudança de estratégia em tom de Flávio Bolsonaro após sucessivos desgastes políticos
Rogério Marinho atribui agressividade recente a indignação com investigações e nega estratégia deliberada para copiar o estilo do pai.

Coordenador da pré-campanha, Rogério Marinho nega mudança deliberada no tom de Flávio Bolsonaro e atribui postura agressiva a 'indignação natural' contra investigações.
O cenário político brasileiro para o próximo pleito presidencial começa a ganhar contornos de alta tensão. Nesta quarta-feira (23), o senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua na coordenação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL), veio a público para esclarecer as recentes mudanças de comportamento observadas no parlamentar. Segundo Marinho, não existe uma estratégia deliberada para que Flávio mude seu perfil público ou tente mimetizar o estilo mais agressivo e direto de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como sugeriram observadores políticos e aliados próximos nos últimos dias.
A declaração ocorre em um momento de fragilidade na imagem do pré-candidato, que enfrenta desgastes em múltiplas frentes. Recentemente, a pré-campanha foi sacudida por desdobramentos de investigações relacionadas ao chamado "caso Master" e por rumores de tensões internas envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Essas crises consecutivas teriam, na visão de interlocutores, levado Flávio a adotar uma postura mais combativa em eventos públicos, repetindo frases de efeito e declarações controversas características do espólio político de seu progenitor, o que gerou especulações sobre um novo direcionamento de marketing eleitoral.
Em entrevista concedida à GloboNews, Rogério Marinho refutou a ideia de uma transformação planejada no tom do discurso. O coordenador defendeu que a exacerbação nas falas do senador é uma reação humana e política a fatos que ele considera injustos. Um dos pontos centrais da indignação citada por Marinho repousa sobre a divulgação de informações de que Flávio teria recebido o montante de 500 mil reais por serviços de advocacia prestados a uma empresa que teria ligações com o empresário Daniel Vorcaro. Para a cúpula do partido, as publicações visam desestabilizar a candidatura antes mesmo de seu lançamento oficial.
Marinho enfatizou que os episódios recentes não devem ser lidos como uma tentativa de imprimir o "estilo Jair" na pré-campanha, mas como uma resposta direta às acusações que pesam sobre o parlamentar. A estratégia central do grupo, contudo, permanece focada em consolidar a base conservadora e manter viva a conexão de lealdade entre as figuras de liderança do PL e o eleitorado bolsonarista raiz. A defesa da honra pessoal e profissional de Flávio tornou-se, portanto, a prioridade imediata da equipe jurídica e de comunicação, tentando desviar o foco das investigações policiais e fiscais que cercam o núcleo familiar.
O impacto dessas movimentações no tabuleiro eleitoral ainda é incerto. A tentativa de desvincular a agressividade verbal de uma estratégia de marketing esbarra na percepção de analistas que veem na radicalização um porto seguro para manter os eleitores mais fiéis mobilizados. Enquanto a oposição utiliza os dados das investigações para desgastar a viabilidade da candidatura, os próximos passos da coordenação de Flávio Bolsonaro devem incluir uma agenda intensa de viagens e a profissionalização das respostas jurídicas aos processos em curso, buscando blindar o pré-candidato de novos danos à imagem pública até as convenções partidárias de 2026.
Além das questões externas, a coordenação precisa lidar com a pacificação interna. Os atritos com o núcleo próximo a Michelle Bolsonaro são vistos como um obstáculo para a unidade necessária na construção de uma chapa competitiva. Marinho e outros caciques do Partido Liberal trabalham nos bastidores para que as divergências familiares e operacionais não se tornem munição para os adversários. A manutenção de um discurso de "indignação natural" serve, em última análise, para justificar os excessos verbais sem admitir uma capitulação às táticas de confronto que marcaram os períodos eleitorais anteriores da família Bolsonaro.

