Entre Palavras

"Ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

A presença humana. O olhar que reconhece. O gesto que acolhe. A palavra que chega no momento exato.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 06:483 min
"Ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”
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Por: Antonio Marcos de Souza (AL)

Hoje, assistindo a uma reunião com o tema "Quem me tocou", percebi algo muito mais profundo nas palavras de Jesus ao fazer essa pergunta à mulher que sofria há doze anos. Havia ali uma história que Ele não conhecia, uma cura que não foi realizada por Ele, mas por seu Pai, Jeová, e Ele conhecia bem a vida da mulher. Ao contar sua história, ela foi tocada pelo milagre, mas também por Jesus, que a alcançou com a sensibilidade de quem ama sem julgamentos, sem apontar o dedo, sem condenar antecipadamente, mas que entendeu sua história e reconheceu que sua fé a fez ficar curada.

Pensei na frase de Carl Jung é uma dessas joias raras: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

Pessoas que vivem na superficialidade têm o olhar voltado apenas para o externo e jamais conseguem enxergar a alma de outra pessoa, suas dores, suas alegrias, seus anseios, suas vitórias, suas conquistas e suas quedas. São tão técnicas que deixam de viver a verdadeira beleza da vida, não enxergam o contexto, o quadro completo e tiram conclusões precipitadas, por serem elas vazias.

E neste ponto temos especialistas, métodos, fórmulas, discursos prontos para tudo. Mas, quando a vida aperta, quando o coração falha, quando a alma se encolhe, nada disso substitui o essencial: a presença humana. O olhar que reconhece. O gesto que acolhe. A palavra que chega no momento exato.

Pessoas de coração limpo enxergam o mundo de um jeito diferente. Elas percebem nuances que não cabem em manuais. Sabem quando alguém está segurando o choro, quando está sorrindo para não preocupar, quando está tentando ser forte enquanto tudo dentro está em ruínas. E, diante disso, não oferecem teoria. Oferecem humanidade.

Uma palavra dita com bondade pode ser um milagre silencioso. Pode acalmar tempestades que ninguém mais vê. Pode devolver esperança a quem já estava desistindo. Pode restaurar um coração quebrantado que só precisava de um toque de gentileza para lembrar que ainda existe beleza no mundo.

Mas o contrário também é verdade — e talvez ainda mais urgente de ser dito. A palavra maldosa, aquela lançada com intenção de ferir, é um veneno rápido. Ela não precisa ser longa, elaborada ou inteligente. Basta ser cruel. Basta ser dita para machucar. E, quando acerta, destrói. Destrói a confiança, destrói a paz, destrói a imagem que alguém tem de si mesmo.

A inveja, então, é uma corrosão silenciosa. Ela não apenas tenta apagar a luz do outro — ela apaga a própria. É um sentimento que não suporta ver alguém florescer, e por isso tenta arrancar raízes. Não suporta ver alguém brilhar, e por isso tenta apagar o brilho. No fim, a inveja destrói tudo ao redor, mas destrói principalmente quem a carrega.

Quem vive de verdade baseado no amor, na bondade, na humildade, no abraço genuíno sem hipocrisia e na verdade da alma de dentro para fora, certamente não deixa espaço para sentimentos que coloquem em dúvida a essência humana.

Jung nos lembra que, ao tocar uma alma humana, tocamos algo sagrado. Algo frágil. Algo que carrega histórias, cicatrizes, sonhos, medos e esperanças. Não existe técnica para isso. Não existe manual. Não existe método.

Existe presença. Existe respeito. Existe verdade. Existe a escolha — diária, consciente — de ser uma alma humana diante de outra alma humana.

E talvez seja justamente isso que esteja faltando no mundo: menos teoria, menos disputa, menos vaidade. Mais humanidade.

Antonio Marcos de Souza

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Autor: Antonio Marcos de Souza

Publicado: 1 de outubro de 2026 às 06:48

Atualizado: 30 de setembro de 2026 às 22:57

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