Colômbia vai às urnas: Conheça os três favoritos para a sucessão presidencial de Petro
Em meio a uma escalada de violência e proibição de reeleição, país define se mantém a esquerda no poder ou se adota guinada conservadora.

Colombianos vão às urnas neste domingo para escolher o sucessor de Gustavo Petro em um cenário de alta tensão e violência. Saiba quem são os favoritos: o filósofo Iván Cepeda, o advogado Abelardo de la Espriella e a senadora Paloma Valencia.
A Colômbia vive um momento decisivo em sua história democrática neste domingo, 31 de maio, com a realização do primeiro turno das eleições presidenciais. O pleito ocorre sob uma atmosfera de forte polarização e desafios monumentais na área de segurança pública. Ao todo, onze candidatos colocaram seus nomes à disposição do eleitorado, mas o cenário consolidado pelas pesquisas aponta para uma disputa tripartite que reflete as profundas divisões ideológicas do país sul-americano. A sucessão de Gustavo Petro é marcada por uma regra constitucional rígida: diferentemente do sistema brasileiro, a Colômbia proíbe terminantemente a reeleição presidencial, o que obriga a renovação do comando da Casa de Nariño a cada quatro anos e impede a manutenção direta do atual projeto de governo.
O contexto em que os colombianos vão às urnas é de extrema complexidade. A nação enfrenta uma escalada de violência política que não se via há anos, exemplificada de forma trágica pelo assassinato de um dos principais pré-candidatos durante um atentado no ano anterior. Além das tensões internas causadas por dissidências de grupos guerrilheiros que não aderiram plenamente aos acordos de paz, a Colômbia também lida com atritos diplomáticos e fronteiriços com o Equador. O país vizinho tem intensificado operações militares contra o crime organizado transnacional, o que gera reflexos diretos na segurança das zonas limítrofes e influencia o debate eleitoral sobre como lidar com o narcotráfico e os grupos armados que ainda controlam vastas áreas rurais.
Liderando as intenções de voto está Iván Cepeda, um filósofo e senador de 63 anos que carrega a bandeira da continuidade do governo Petro. Representante do partido Pacto Histórico, Cepeda é uma figura central da esquerda colombiana e construiu sua reputação como um mediador incansável nos processos de paz, especialmente nas históricas negociações com as Farc em 2016. Sua plataforma defende a via diplomática e o diálogo como ferramentas fundamentais para pacificar o país, além de propor reformas estruturais como o aumento do salário mínimo e uma reforma agrária abrangente. Historicamente, ele também foi o principal antagonista jurídico do ex-presidente Álvaro Uribe, em um embate que durou anos nos tribunais e moldou parte da política contemporânea do país.
No espectro oposto, surge a figura de Abelardo de la Espriella, um advogado de 47 anos que tem conquistado o eleitorado conservador com um estilo agressivo e populista. Apelidado de "Bukele colombiano" devido à semelhança física com o líder salvadorenho Nayib Bukele e à defesa de políticas de "mão de ferro", De la Espriella lidera o movimento Defensores da Pátria. Ele critica abertamente as tentativas de diálogo com guerrilhas e promete uma ofensiva militar sem precedentes. Além de sua atuação política, o candidato é uma figura midiática que comercializa produtos de luxo e adota um discurso de rompimento com organismos internacionais, como a ONU e a OEA, alegando que tais instituições estariam enviesadas à esquerda. Sua campanha foi marcada por denúncias de ameaças de morte e pelo assassinato de colaboradores próximos, evidenciando o perigo da atividade política no território colombiano atual.
A terceira via competitiva é representada por Paloma Valencia, senadora do Centro Democrático e neta do ex-presidente Guillermo León Valencia. Com uma trajetória parlamentar sólida desde 2014, Paloma tenta ser a primeira mulher a comandar o Executivo colombiano. Ela combina uma postura rígida na segurança pública — defendendo o uso das Forças Armadas para restabelecer a ordem — com propostas modernistas, como o uso de inteligência artificial na gestão pública para o combate à corrupção. No campo social, mantém pautas conservadoras em relação à família e ao aborto. O resultado deste domingo definirá se a Colômbia seguirá pelo caminho das reformas progressistas de Cepeda ou se haverá uma guinada à direita, seja pelo conservadorismo institucional de Valencia ou pelo radicalismo de De la Espriella, em um segundo turno que promete ser ainda mais acirrado.





