Cientistas investigam hipótese de 'terceiro sistema circulatório' no corpo humano
Estudo indica que espaços microscópicos entre tecidos formam uma rede integrada capaz de transportar fluidos e explicar a propagação de doenças.

Pesquisadores sugerem que o interstício pode ser uma rede contínua responsável pelo transporte de fluidos e células, funcionando como uma via alternativa aos sistemas cardiovascular e linfático.
Um novo paradigma anatômico está sendo proposto por cientistas em um estudo publicado na revista Communications Biology. A hipótese sugere que o corpo humano possui uma vasta rede microscópica, denominada interstício, que funcionaria como um terceiro sistema circulatório, operando em paralelo aos já conhecidos sistemas cardiovascular e linfático. Embora esses espaços entre os tecidos já fossem conhecidos pela medicina, a grande novidade reside na evidência de que eles formam uma malha contínua e integrada que conecta órgãos, músculos e pele por todo o organismo.
A investigação ganhou força a partir da observação de fenômenos curiosos, como a migração inesperada de pigmentos de tatuagens e corantes usados em exames médicos. Os pesquisadores notaram que essas partículas se deslocavam para camadas muito mais profundas do que o previsto, utilizando microcanais formados por colágeno e preenchidos por fluidos e ácido hialurônico. Essa estrutura assemelha-se a uma rede tridimensional que permite o fluxo lento de moléculas e células, desafiando a visão tradicional de que esses espaços seriam apenas compartimentos isolados dentro de cada tecido.
A compreensão dessa rede integrada pode abrir portas para avanços significativos no tratamento de doenças graves. A hipótese ajudaria a explicar, por exemplo, como células cancerígenas conseguem se espalhar para outras regiões antes mesmo de alcançarem a corrente sanguínea. Além disso, a descoberta pode esclarecer a rápida progressão de certas infecções e a comunicação direta entre órgãos distantes, como o intestino e o cérebro. Embora o termo "terceiro sistema" ainda não seja uma classificação oficial, a pesquisa reforça que estruturas antes consideradas secundárias podem desempenhar papéis vitais e complexos na biologia humana.






