Economia

China rebate acusações de trabalho forçado e critica novas sanções tarifárias dos EUA

Pequim nega uso de trabalho escravo e ataca sobretaxas de 12,5% sugeridas por Washington, que também atingem o Brasil e diversas potências mundiais.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 12:003 min
China rebate acusações de trabalho forçado e critica novas sanções tarifárias dos EUA
Foto: Reprodução
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O governo chinês rejeitou acusações dos EUA sobre trabalho forçado e criticou a proposta de tarifas de 12,5% contra 60 países, incluindo o Brasil. A medida americana, baseada em falhas de fiscalização trabalhista, gera tensão nos mercados globais e ameaça exportações brasileiras.

O cenário geopolítico e comercial global sofreu um novo abalo nesta quarta-feira (3), após o governo da China rejeitar formalmente as acusações de trabalho forçado feitas pelos Estados Unidos. A manifestação chinesa surge como uma reação imediata às investigações americanas que fundamentam uma proposta de aplicação de novas tarifas de importação contra 60 nações, incluindo o gigante asiático e o Brasil. Pequim classificou a medida como uma forma de "manipulação política" e criticou severamente o uso de sanções comerciais unilaterais por parte de Washington, sinalizando que a tensão entre as duas maiores economias do mundo deve se intensificar nos próximos meses.

A controvérsia teve origem em um relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na última terça-feira (2). O documento alega que um grupo extenso de países falhou sistematicamente em proibir e fiscalizar a entrada de mercadorias produzidas por meio de regimes de trabalho análogo à escravidão em suas cadeias produtivas. De acordo com o governo americano, essa negligência não apenas fere direitos humanos fundamentais, como também gera uma concorrência desleal para a indústria dos EUA, que opera sob padrões trabalhistas rigorosos. Em retaliação, foi proposta uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre todos os produtos exportados pelos países listados para o mercado norte-americano.

Para o Brasil, a notícia acende um sinal de alerta máximo no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A inclusão do país no grupo de 60 nações — que também conta com potências como Índia, Japão e Reino Unido — baseia-se na conclusão americana de que o governo brasileiro não possui mecanismos de controle eficazes para barrar a importação de componentes ou insumos fabricados com trabalho forçado em terceiros países. A possibilidade de uma tarifa de 12,5%, que poderia ser cumulativa a outros impostos já anunciados, representa um risco significativo para as exportações brasileiras de diversos setores, desde o agronegócio até a indústria de transformação, que têm nos EUA um de seus principais parceiros comerciais.

Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, foi enfática ao afirmar que as acusações de Washington carecem de fundamentação factual e representam uma interferência indevida em assuntos internos através de barreiras protecionistas. Enquanto isso, o mercado financeiro asiático demonstrou instabilidade frente às incertezas. Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou queda de 1,6%, refletindo o medo de uma nova guerra comercial. Contudo, bolsas na China continental mostraram resiliência, levemente impulsionadas pelo crescimento robusto no setor de serviços em maio — o maior em três meses — e pelo bom desempenho de empresas ligadas a semicondutores e inteligência artificial, vistas como vitais para a soberania econômica chinesa.

Apesar da retórica agressiva de ambos os lados, a aplicação das tarifas não é imediata e ainda passará por um processo de consulta pública. O governo dos Estados Unidos estabeleceu o prazo de 6 de julho para receber contribuições da sociedade e de empresas interessadas, com audiências marcadas para o dia 7 de julho. Este período será crucial para que as diplomacias dos países afetados, incluindo a brasileira, tentem reverter ou suavizar os termos da medida. Especialistas apontam que o desdobramento deste conflito poderá redefinir as cadeias de suprimento mundiais, forçando países a adotarem certificações mais rígidas de origem de seus produtos para manter o acesso ao consumo americano.

O desfecho dessa crise dependerá da capacidade de diálogo entre as nações e da pressão que grandes conglomerados internacionais exercerão sobre Washington, temendo o aumento de custos para o consumidor final nos EUA. No Brasil, resta saber como o governo federal irá reforçar seus mecanismos de transparência trabalhista para provar a idoneidade de suas importações e exportações, buscando evitar que o país seja arrastado para o centro de uma disputa de soberania e protecionismo entre americanos e chineses que promete dominar a agenda global de 2026.

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