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CFM cria plataforma 'Medicina Segura' para combater exercício ilegal da profissão

Novo sistema unifica denúncias de procedimentos realizados por profissionais sem habilitação e agiliza envio de provas à polícia.

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Redação 360 Notícia
31 de maio de 2026 às 00:003 min
CFM cria plataforma 'Medicina Segura' para combater exercício ilegal da profissão
Foto: Reprodução
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O Conselho Federal de Medicina lançou a plataforma Medicina Segura para centralizar denúncias de danos causados por falsos médicos e profissionais não habilitados. A medida visa agilizar punições criminais e proteger a segurança dos pacientes em todo o Brasil.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou oficialmente o lançamento da plataforma "Medicina Segura", uma ferramenta digital estratégica voltada para o monitoramento e a denúncia de danos causados a pacientes por profissionais que não possuem formação médica ou que atuam de forma ilegal na área. A iniciativa surge como uma resposta direta ao aumento alarmante de complicações de saúde decorrentes de procedimentos realizados por pessoas sem a devida habilitação técnica, com foco em fortalecer a fiscalização e garantir que a legislação vigente, especialmente a Lei do Ato Médico, seja rigorosamente cumprida no território nacional.

O cenário que motivou a criação do sistema é alarmante e reflete uma crise de segurança sanitária. Recentemente, casos de grande repercussão nacional ilustraram a gravidade do problema. Em São Paulo, a Polícia Civil efetuou a prisão de indivíduos que se passavam por médicos em uma unidade hospitalar na Zona Leste; as investigações apontam que a dupla realizou cerca de dois mil atendimentos em apenas dois anos, sendo associada a pelo menos nove óbitos. Simultaneamente, no Rio de Janeiro, o Ministério Público denunciou uma dentista após uma paciente sofrer sequelas graves e paralisantes devido a uma intervenção que extrapolava as competências da odontologia. Tais episódios demonstram que a invasão de competências exclusivas da medicina tem gerado prejuízos físicos e psicológicos irreversíveis para a população brasileira.

A partir do funcionamento da plataforma, médicos devidamente registrados e certificados passam a ter o dever ético e funcional de reportar casos de pacientes que chegam aos seus consultórios com lesões ou complicações originadas por terceiros não habilitados. O fluxo de denúncia é detalhado: o profissional deve inserir dados do paciente, identificar o responsável pelo erro (seja um falso médico, um profissional de outra área da saúde ou um médico sem a especialização necessária para o ato) e descrever o quadro clínico detalhadamente. É exigido o upload de provas robustas, como laudos, fotografias das lesões, cópias de receitas irregulares e contratos de prestação de serviço, transformando a queixa em um dossiê jurídico.

A relevância do "Medicina Segura" reside na sua integração direta com órgãos de controle e repressão. Assim que o registro é finalizado e validado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) do respectivo estado, as informações são encaminhadas automaticamente ao Ministério Público e às autoridades policiais. O objetivo é reduzir a morosidade nos processos de investigação e punição, criando um banco de dados unificado que permita traçar o mapa do exercício ilegal da medicina no país. Dados do próprio CFM indicam que, na última década, mais de 9.500 casos graves resultaram em danos permanentes, com uma incidência massiva na área de procedimentos estéticos, onde a promessa de resultados rápidos e custos baixos muitas vezes oculta riscos fatais.

Para o leitor e cidadão comum, a orientação das autoridades médicas é de vigilância redobrada. O presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, enfatiza que antes de qualquer intervenção, o paciente deve consultar o site oficial da autarquia para verificar se o profissional possui o Registro de Qualificação de Especialidade (RQE). Este selo de garantia confirma que o médico passou por residência ou prova de título em sua área de atuação. O desdobramento esperado com a nova plataforma é uma redução drástica na impunidade dos praticantes do exercício ilegal, além de educar a sociedade sobre os perigos de buscar atendimentos médicos com profissionais que não possuem a formação acadêmica e técnica exigida pela lei brasileira.

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