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Centro de pesquisas em Campinas recebe recorde de público para visitar acelerador de partículas

Evento em Campinas reúne 30 mil pessoas e delegações internacionais no complexo que abriga o Sirius, referência mundial em tecnologia de quarta geração.

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Redação 360 Notícia
31 de maio de 2026 às 16:003 min
Centro de pesquisas em Campinas recebe recorde de público para visitar acelerador de partículas
Foto: Reprodução
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O evento 'Ciência Aberta' levou 30 mil visitantes ao CNPEM, em Campinas, para conhecer o Sirius, um dos três aceleradores de partículas mais avançados do mundo. Com caravanas de 10 estados e do Paraguai, a iniciativa destacou o protagonismo da ciência brasileira e arrecadou 5 toneladas de alimentos.

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), localizado em Campinas, no interior de São Paulo, consolidou-se como um dos principais polos de fomento à cultura científica na América Latina ao atrair um público recorde de 30 mil pessoas durante a edição de 2026 do evento "Ciência Aberta". Realizada entre a última sexta-feira (29) e sábado (30), a iniciativa proporcionou ao público em geral uma oportunidade rara de conhecer as instalações de um dos complexos laboratoriais mais sofisticados do planeta. O evento não apenas democratiza o acesso ao conhecimento especializado, mas também reforça a posição do Brasil como protagonista na pesquisa de ponta, permitindo que estudantes e entusiastas observem de perto onde são desenvolvidas as tecnologias que impactam setores que vão da saúde à agricultura.

A magnitude do evento foi refletida na diversidade geográfica de seu público. Ao todo, o complexo recebeu 284 caravanas compostas por estudantes de instituições públicas e privadas, representando 10 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Um dos destaques da edição de 2026 foi a presença de uma delegação estudantil vinda do Paraguai, evidenciando o caráter de referência regional que o CNPEM possui no continente sul-americano. Durante dois dias, o campus se transformou em um espaço de experimentação, com mais de 100 atividades interativas planejadas para traduzir conceitos complexos da física e da biologia em vivências acessíveis e lúdicas para todas as idades.

A principal estrela da visita foi, sem dúvida, o Sirius, o acelerador de partículas de quarta geração operado pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). O equipamento funciona como um microscópio eletrônico de escala monumental, capaz de desvendar a estrutura molecular e atômica de diversos tipos de materiais por meio da luz síncrotron. Esta luz, embora invisível ao olho humano, possui um brilho extraordinário e é gerada pelo desvio de elétrons que circulam em velocidades próximas à da luz dentro de um túnel de cerca de 500 metros de extensão. Graças à tecnologia encontrada em apenas três países no mundo, pesquisadores brasileiros e estrangeiros conseguiram avanços significativos no combate a patógenos, como o mapeamento detalhado do Sars-CoV-2 e o estudo do vírus Mayaro, que representa uma ameaça crescente à saúde pública local.

Para o setor científico brasileiro, o sucesso de público do Ciência Aberta ocorre em um momento estratégico de expansão da infraestrutura nacional. O CNPEM está em fase final de preparação para abrigar o Orion, um laboratório de biossegurança máxima (NB4) que será o primeiro do gênero na América Latina. Vinculado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Orion permitirá o estudo de patógenos altamente perigosos sob condições de segurança extrema, eliminando a dependência de laboratórios no Hemisfério Norte para pesquisas de novos vírus e bactérias. Essa integração entre a luz síncrotron do Sirius e a biossegurança do Orion coloca o Brasil em uma posição privilegiada na prevenção e resposta a futuras pandemias, elevando a soberania tecnológica do país no cenário global.

Além do impacto educacional e científico, o evento apresentou uma forte vertente de responsabilidade socioambiental. A organização contabilizou a arrecadação de 5,1 toneladas de alimentos não perecíveis, frutos de doações voluntárias dos visitantes, que serão destinados a instituições assistenciais da região de Campinas. Para incentivar a consciência ecológica, o centro também realizou a distribuição de 1.200 mudas de plantas aos participantes. A iniciativa demonstra que o investimento em ciência de alto impacto não se desconecta das necessidades básicas da sociedade, pavimentando um caminho de esperança para a formação de novas gerações de cientistas brasileiros que viram de perto o funcionamento de máquinas de precisão nanoscópica, onde o feixe de luz utilizado é 30 vezes mais estreito que a espessura de um fio de cabelo humano.

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