Catadores de recicláveis desperdiçam dois dias por mês com plásticos sem mercado
Estudo da UFF e do Instituto de Direito Coletivo revela prejuízo financeiro e desperdício de tempo em cooperativas.

Pesquisa revela que catadores desperdiçam 15 horas por mês separando plásticos que não podem ser vendidos. Inviabilidade econômica e falta de logística reversa são os principais obstáculos.
Um levantamento realizado pelo Instituto de Direito Coletivo, em colaboração com a Universidade Federal Fluminense (UFF), aponta que catadores de recicláveis gastam cerca de 15 horas mensais — o equivalente a dois dias inteiros de expediente — processando plásticos que não possuem valor comercial. O estudo destaca que, embora o plástico represente 30% do volume recebido pelas cooperativas, ele chega a compor 45% de todo o resíduo descartado por essas entidades devido à impossibilidade de venda.
A principal barreira para o reaproveitamento desses materiais é a viabilidade econômica, e não necessariamente a capacidade técnica de reciclagem. Segundo especialistas ouvidos pela pesquisa, muitos itens derivados do petróleo acabam no lixo comum porque os custos logísticos de transporte até as indústrias superam o valor de mercado do produto final. Essa lacuna gera prejuízos financeiros diretos às associações, com perdas estimadas entre R$ 1,1 mil e R$ 3,7 mil mensais por unidade produtiva.
O cenário reforça o debate sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece que fabricantes e o setor público devem compartilhar a responsabilidade pelo destino final das embalagens através da logística reversa. Representantes do setor defendem que haja maior rigor na fiscalização e que as empresas evitem colocar no mercado plásticos de difícil reciclagem, garantindo que o esforço manual dos catadores resulte em geração de renda em vez de tempo perdido com rejeitos.




