Minha Voz

Carta para quem aprendeu a cintilar em silêncio

Que eu me reconheça a cada amanhecer. Que eu viva o novo, e se não houver novo, que eu o invente. Que eu silencie, sim ? mas nunca me abafe. Que eu seja sol par

16 de fevereiro de 2026 às 13:392 min
Carta para quem aprendeu a cintilar em silêncio
Foto: Reprodução
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Que eu me reconheça a cada amanhecer. Que eu viva o novo, e se não houver novo, que eu o invente. Que eu silencie, sim ? mas nunca me abafe. Que eu seja sol para quem é jardim, para quem floresce, para quem se importa.

Hoje escrevo não para ser ouvido, mas para me reconhecer.

Não é que o brilho tenha se apagado. Ele apenas deixou de ser exibido em vitrines onde não há olhos capazes de enxergá-lo. O brilho verdadeiro nunca se apaga — ele repousa, aguarda, e se revela apenas para quem também carrega luz.

Aprendi que amar não é insistir. É respeitar o espaço do outro, é não empurrar presença, voz ou convicções goela abaixo. Amar é saber sair de cena quando todas as cadeiras já estão ocupadas, sem tentar caber onde não há lugar.

A maturidade me ensinou a ler os sinais que não vêm com palavras: o sorriso contido, o toque que hesita, o olhar que se desvia. Aprendi a interpretar a linguagem das sobrancelhas sobressaltadas, o silêncio entre respirações, a ausência que fala mais do que a presença.

Deixei de dar ibope ao que não me representa. Desliguei os holofotes das superproduções que já não fazem sentido. E nesse gesto, abri espaço no coração — espaço para sentimentos que cabem, que florescem, que respiram.

Abri janelas. Deixei o ar entrar. A brisa da manhã trouxe perfume novo, e as varandas do meu ser voltaram a florir. Meu coração, tantas vezes incompreendido, segue batendo na frequência do amor, da amizade, da verdade.

Que eu me reconheça a cada amanhecer. Que eu viva o novo, e se não houver novo, que eu o invente. Que eu silencie, sim — mas nunca me abafe. Que eu seja sol para quem é jardim, para quem floresce, para quem se importa

Antonio Marcos | Alagoas24h | 21 de outubro de 2025

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