Notícias

Caminhão público desaparecido há uma década é encontrado enterrado no RS

Veículo de carga desaparecido há quase 10 anos foi localizado em terreno público ao lado de escola e secretarias municipais.

Por
Redação 360 Notícia
31 de maio de 2026 às 15:003 min
Caminhão público desaparecido há uma década é encontrado enterrado no RS
Foto: Reprodução
Compartilhar

Após anos de boatos, um caminhão-caçamba desaparecido da prefeitura de Araricá é encontrado enterrado em terreno público. A descoberta levanta graves suspeitas de crime ambiental e má gestão do patrimônio público no Rio Grande do Sul.

O que antes era tratado apenas como uma lenda urbana ou um boato de corredor entre os moradores de Araricá, no Rio Grande do Sul, transformou-se em uma investigação policial de graves proporções. Um caminhão-caçamba pertencente ao patrimônio público municipal, que estava desaparecido há cerca de uma década, foi finalmente localizado de uma forma inacreditável: enterrado em um terreno da própria prefeitura. A descoberta ocorreu após uma força-tarefa mobilizada pela atual gestão municipal, que decidiu averiguar as histórias que circulavam na cidade sobre o paradeiro do veículo pesado.

O esforço para encontrar o caminhão teve início no começo de 2025, durante um processo rigoroso de levantamento de patrimônio e inventário de bens móveis realizado pelo Executivo local. O prefeito Oseias Cardoso relatou que as suspeitas ganharam força após depoimentos de servidores e cidadãos que indicavam um ponto específico para o "sepultamento" do veículo. Segundo as informações colhidas, o caminhão teria sido escondido propositalmente às margens do Arroio Ferrabrás, uma área sensível do ponto de vista ecológico. O local, conhecido como Largo das Azaleias, abriga não apenas o fluxo de água, mas também é vizinho de uma escola municipal de Educação Infantil, secretarias de governo — incluindo a de Obras — e a unidade dos Bombeiros Voluntários.

A operação de escavação foi cercada de tensão e ceticismo inicial. "A gente não queria acreditar, porque é algo bem grave, é um crime ambiental, tem vários problemas envolvidos", declarou o prefeito. Contudo, assim que as máquinas pesadas iniciaram as perfurações exploratórias no terreno público, a realidade veio à tona. O operador de uma retroescavadeira atingiu a estrutura metálica, confirmando que o chassi e a carroceria estavam sob camadas de terra. Devido ao tempo em que permaneceu enterrado e à pressão do solo, o resgate exigiu que o caminhão fosse parcialmente desmantelado no local. A caçamba precisou ser separada do chassi para que as peças pudessem ser içadas. O chassi, peça fundamental para a perícia, será o ponto de partida para rastrear a numeração original e confrontar com os documentos oficiais do município.

As implicações desse caso vão muito além do prejuízo financeiro pelo descarte irregular de um bem público. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul já instaurou um inquérito formal para apurar as circunstâncias do ocorrido. O foco das autoridades está em identificar quem deu a ordem para ocultar o veículo e quais seriam as motivações por trás de tal ato. Há indícios que apontam para uma tentativa de ocultar irregularidades administrativas ou mecânicas. Além disso, a prefeitura e a polícia investigam o crime ambiental, uma vez que o descarte de veículos pesados diretamente no solo, especialmente próximo a cursos d'água como o Arroio Ferrabrás, pode causar a contaminação do lençol freático com óleos, combustíveis e outros resíduos tóxicos presentes no motor e na estrutura do caminhão.

O histórico do veículo apresenta lacunas que a investigação agora tenta preencher. O último registro oficial de circulação do caminhão data de 2014, quando ele foi multado na capital, Porto Alegre. Entretanto, novas pistas sugerem que o hiato pode ser menor: imagens de satélite do Google parecem mostrar o veículo em operação em uma obra de terraplanagem na cidade em meados de 2017. A principal linha de investigação sugere que o desaparecimento e o posterior enterro tenham ocorrido entre o final de 2017 e o ano de 2018. Para o contribuinte de Araricá e para o cenário político gaúcho, o caso serve como um alerta sobre a fiscalização do patrimônio público e a responsabilidade na gestão de recursos. O que resta do caminhão permanece sob custódia para perícia minuciosa, enquanto a cidade aguarda respostas sobre como um equipamento de grande porte pôde simplesmente ser enterrado no centro de um terreno governamental sem que medidas fossem tomadas anteriormente.

#Araricá#caminhão enterrado#patrimônio público#Rio Grande do Sul#crime ambiental#investigação policial#Arroio Ferrabrás#gestão municipal

Leia também