Brasileiro sobrevive a perfuração no coração por peixe-agulha após renascer em cirurgia na Costa Rica
Fabiano Duarte Costa teve o órgão perfurado por bico de animal durante mergulho em Pavones; médicos massagearam coração com as mãos para salvá-lo.
O surfista catarinense Fabiano Duarte Costa sobreviveu milagrosamente após ter o coração perfurado por um peixe-agulha na Costa Rica. O educador físico relatou o momento dramático em que os médicos celebraram o retorno de seus batimentos cardíacos após minutos de morte clínica durante a cirurgia.
O surfista brasileiro Fabiano Duarte Costa, de 44 anos, vivenciou um episódio que desafia as estatísticas da medicina e do esporte. Durante uma expedição de surfe na Costa Rica, país conhecido mundialmente por suas ondas perfeitas, o educador físico natural de Itajaí, Santa Catarina, foi vítima de um acidente raríssimo envolvendo um peixe-agulha. O animal, caracterizado por seu corpo alongado e bico pontiagudo que se assemelha a uma lança, atingiu o peito de Fabiano com força suficiente para perfurar a parte superior de seu coração. O incidente ocorreu no final de maio, transformando o que deveria ser a realização de um sonho na Praia de Pavones em uma luta desesperada pela sobrevivência em solo estrangeiro.
O cenário do acidente, a Praia de Pavones, é famosa por possuir uma das ondas mais longas do mundo, o que atrai surfistas de alto nível. No entanto, a natureza selvagem da região impõe riscos que nem sempre estão relacionados à força das águas. Fabiano relatou que a colisão aconteceu no momento em que ele mergulhava para atravessar uma onda. O impacto foi tão súbito e violento que o surfista perdeu a consciência imediatamente, não tendo memórias claras do exato momento do golpe. O resgate imediato foi crucial: amigos e outros surfistas que estavam na água retiraram Fabiano rapidamente do mar, contando com a sorte da presença de um médico alemão no local, que iniciou os primeiros socorros ainda na areia, antes mesmo da chegada da ambulância.
A gravidade da lesão exigiu uma intervenção cirúrgica de emergência que beirou o milagre. Segundo relatos colhidos com a equipe médica e amigos que acompanharam o caso, como o companheiro de viagem Cássio Pereira, o estado do brasileiro era considerado crítico, com risco iminente de morte. Durante o procedimento cirúrgico, o coração de Fabiano chegou a parar. O médico cirurgião responsável relatou ao surfista, posteriormente, que houve um momento de silêncio absoluto no centro cirúrgico enquanto ele realizava massagens cardíacas manuais diretamente no órgão exposto. A tensão foi quebrada apenas dois minutos depois, quando o monitor cardíaco voltou a emitir o sinal sonoro ("bip"), gerando uma onda de euforia e celebração entre os profissionais de saúde que lutavam pela vida do brasileiro.
Especialistas explicam que incidentes com peixes-agulha são extremamente incomuns, mas perigosos devido à velocidade que o animal atinge ao saltar sobre a superfície da água. Em muitas culturas costeiras, esses animais são temidos mais do que tubarões em situações específicas, justamente pela capacidade de perfuração de tecidos moles. No caso de Fabiano, o fato de ter sobrevivido a uma perfuração cardíaca em uma região remota e ter tido acesso a um atendimento especializado em San José, capital do país, é apontado por sua família como um golpe de sorte e fé. Sua esposa, Priscila Carlesso, expressou alívio após dias de incerteza, destacando a rede de apoio formada por amigos e profissionais que surgiram no caminho do casal durante a internação na Costa Rica.
Após receber alta hospitalar na última terça-feira, Fabiano Costa já planeja seu retorno ao Brasil, previsto para a próxima semana. O educador físico, que respira o esporte desde a infância e trabalha como instrutor de canoa havaiana, já manifestou seu desejo de retornar ao mar assim que a recuperação física estiver completa. Longe de desenvolver traumas, ele vê o surfe como sua razão de viver e afirma que pretende voltar à Costa Rica no futuro, não apenas para surfar as ondas de Pavones novamente, mas para agradecer pessoalmente a todos os envolvidos em seu resgate. O caso serve como um alerta para a imprevisibilidade de acidentes com a fauna marinha e reforça a importância de protocolos de primeiros socorros em áreas de prática de esportes radicais.





