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Brasil registra 547 casos confirmados de doença de Creutzfeldt-Jakob em período de 17 anos

Levantamento abrange o período de 2005 a 2021 e aponta São Paulo como o estado com maior número de diagnósticos da patologia neurodegenerativa.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 08:003 min
Brasil registra 547 casos confirmados de doença de Creutzfeldt-Jakob em período de 17 anos
Foto: Reprodução
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Dados do Ministério da Saúde revelam 547 confirmações da doença de Creutzfeldt-Jakob em 17 anos. Condição rara ganhou atenção após morte do influenciador Lito Sousa.

O Brasil registrou um total de 547 casos confirmados da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) em um intervalo de 17 anos, compreendido entre 2005 e 2021. O tema voltou ao debate público após o falecimento de Lito Sousa, influenciador digital e criador do canal Aviões e Música, que foi diagnosticado com a patologia. Segundo dados do Ministério da Saúde, compilados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), o volume de casos ratificados representa aproximadamente um terço das notificações suspeitas recebidas no período, que totalizaram 1.576 alertas. A condição é considerada extremamente rara e possui uma evolução progressiva e degenerativa, afetando diretamente o sistema nervoso central.

A distribuição geográfica dos diagnósticos no território nacional revela uma forte concentração em estados das regiões Sudeste, Sul e Nordeste. O estado de São Paulo desponta como a unidade federativa com o maior número de ocorrências, contabilizando 202 casos confirmados, o que equivale a 37% de todos os registros nacionais no recorte temporal analisado. Minas Gerais também aparece com destaque nas estatísticas oficiais. Essa disparidade regional pode estar relacionada tanto à densidade populacional quanto à infraestrutura diagnóstica disponível nos grandes centros urbanos, que facilita a identificação de doenças neurodegenerativas complexas como a DCJ.

A trajetória clínica da doença é marcada por uma rápida deterioração das funções cognitivas e motoras. No caso do influenciador Lito Sousa, a família relatou publicamente as dificuldades enfrentadas para a obtenção de um diagnóstico definitivo. Sua esposa, Mila, compartilhou em redes sociais que o processo foi demorado e que os sintomas iniciais evoluíram rapidamente para a perda de capacidades motoras essenciais. Essa característica é típica da DCJ, que é causada por príons — agentes infecciosos compostos por proteínas que sofrem um dobramento anormal, desencadeando a destruição de neurônios e dando ao cérebro uma aparência esponjosa sob análise laboratorial.

Desde que a doença de Creutzfeldt-Jakob foi incluída na lista de notificação compulsória no Brasil, as autoridades sanitárias têm trabalhado para aprimorar o monitoramento dos casos. A vigilância é considerada fundamental, pois, embora a maioria dos casos ocorra de forma esporádica (sem causa aparente), existem formas variantes e hereditárias da doença. A confirmação do diagnóstico depende de uma série de exames clínicos, incluindo ressonância magnética, eletroencefalograma e análise do líquido cefalorraquidiano, muitas vezes exigindo avaliação neuropatológica pós-óbito para uma certeza definitiva, o que explica por que apenas 34% das notificações suspeitas foram de fato confirmadas no período de 17 anos.

A morte de uma figura pública como Lito Sousa traz visibilidade para a necessidade de investimentos em pesquisa e suporte médico para enfermidades raras. Atualmente, a medicina não dispõe de uma cura ou tratamento capaz de reverter os danos causados pelos príons, focando os cuidados apenas no alívio dos sintomas e na manutenção da qualidade de vida do paciente durante a fase progressiva da patologia. Os próximos passos para a saúde pública envolvem o fortalecimento da rede de assistência e a continuidade do acompanhamento epidemiológico rigoroso para entender melhor a incidência da doença no país e garantir que novas suspeitas sejam investigadas com agilidade pelos órgãos competentes.

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Autor: Antonio Marcos de Souza

Publicado: 2 de outubro de 2026 às 08:00

Atualizado: 2 de outubro de 2026 às 08:00

Fonte: apuração editorial e informações públicas disponíveis

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