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Fiscalização resgata 17 trabalhadores em condições degradantes em obras em Alagoas

Operação realizada em Marechal Deodoro e São Miguel dos Milagres revelou trabalhadores dormindo no chão e sem acesso a água potável.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 08:003 min
Fiscalização resgata 17 trabalhadores em condições degradantes em obras em Alagoas
Foto: Reprodução
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Operação do Ministério do Trabalho resgata 17 pessoas em canteiros de pavimentação em Alagoas. Trabalhadores dormiam no chão e não tinham acesso a água potável.

Uma operação de fiscalização coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resultou no resgate de 17 trabalhadores que estavam sendo submetidos a condições análogas à escravidão no estado de Alagoas. As ações ocorreram nos municípios de Marechal Deodoro e São Miguel dos Milagres, focando em canteiros de obras destinados à pavimentação asfáltica. A intervenção das autoridades ocorreu nos dias 21 e 22 de setembro, após denúncias e o monitoramento de irregularidades em contratos de infraestrutura na região. Embora o resgate tenha sido confirmado, a identidade das empresas responsáveis pelas obras não foi formalmente divulgada pelos órgãos fiscalizadores até o momento.

O cenário encontrado pelos inspetores foi descrito como degradante e incompatível com as normas mínimas de saúde e segurança do trabalho. Em Marechal Deodoro, 12 profissionais foram retirados da situação de exploração, enquanto outros cinco foram localizados em São Miguel dos Milagres. Segundo os relatórios da equipe de fiscalização, os trabalhadores enfrentavam uma rotina de privações severas, que incluíam a falta de locais adequados para o repouso e a alimentação. Em muitos casos, os funcionários eram obrigados a dormir e a realizar suas refeições diretamente no chão, sem qualquer mobiliário ou proteção higiênica, expondo-os a riscos biológicos e desconforto físico extremo.

Outro ponto crítico apontado pelo Ministério do Trabalho foi a ausência de infraestrutura básica de saneamento nos alojamentos improvisados. Os fiscais constataram a inexistência de fornecimento de água potável para consumo humano, o que obrigava os trabalhadores a buscar alternativas muitas vezes insalubres para saciar a sede. Além disso, as instalações sanitárias eram inexistentes ou absolutamente precárias, falhando em garantir a privacidade e a higiene pessoal mínima exigida pela legislação trabalhista brasileira. Tais elementos, somados à jornada e ao ambiente de trabalho, caracterizam a violação dos direitos fundamentais da pessoa humana.

Do ponto de vista jurídico, a operação baseia-se no Artigo 149 do Código Penal Brasileiro. O texto legal é claro ao definir o trabalho análogo à escravidão não apenas pela privação de liberdade de ir e vir, mas também pela submissão a jornadas exaustivas, condições degradantes ou a imposição de dívidas fraudulentas que prendem o operário ao empregador. No caso registrado em Alagoas, a degradação do ambiente foi o fator determinante para a tipificação do crime. A lei prevê punições rigorosas para os infratores, que podem incluir o pagamento de multas administrativas, indenizações por danos morais individuais e coletivos, além de sanções penais para os proprietários das empresas envolvidas.

Após o resgate, o Ministério do Trabalho e Emprego, em conjunto com outros órgãos de proteção, iniciou os procedimentos para garantir o pagamento das verbas rescisórias devidas a cada um dos 17 trabalhadores. Eles também devem ser encaminhados para a recepção do seguro-desemprego especial, benefício destinado especificamente a vítimas resgatadas de regimes de exploração. A fiscalização continuará monitorando as obras de pavimentação no estado para identificar se outras frentes de trabalho operadas pelas mesmas empresas apresentam irregularidades similares. O caso também será encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) para a assinatura de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) ou ajuizamento de ações civis públicas.

A recorrência de casos desse tipo no setor de construção civil e infraestrutura tem gerado alerta nacional. As autoridades reforçam a importância de que a sociedade utilize os canais de denúncia, como o Sistema Ipê ou o Disque 100, para reportar suspeitas de exploração laboral. O combate a essa prática exige um esforço contínuo de vigilância, uma vez que a precarização extrema do trabalho muitas vezes se esconde sob contratos de sublocação ou cadeias produtivas complexas, onde a responsabilidade solidária deve ser rigorosamente aplicada para erradicar o trabalho forçado no Brasil.

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Autor: Antonio Marcos de Souza

Publicado: 1 de outubro de 2026 às 08:00

Atualizado: 1 de outubro de 2026 às 08:00

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