Brasil reage a proposta de tarifaço dos EUA e denuncia sabotagem de interesses nacionais
Em nota oficial, Planalto rebate acusações de práticas desleais, cita superávit bilionário dos EUA e não descarta retaliação.
O governo brasileiro reagiu com indignação à proposta de novos impostos de importação sugerida pelos Estados Unidos. Em nota, o Planalto acusa motivações políticas e aponta prejuízo bilionário, defendendo o PIX e a abertura do mercado nacional enquanto avalia medidas de retaliação comercial.
O cenário das relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos atingiu um novo patamar de tensão nesta terça-feira, 2 de junho de 2026. Em um movimento robusto, o governo brasileiro divulgou uma nota oficial para expressar sua profunda indignação e rebater as conclusões preliminares de uma investigação conduzida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). O documento norte-americano, fundamentado na Seção 301 da lei de comércio dos EUA, sugere a aplicação de um "tarifaço" contra produtos brasileiros sob a alegação de práticas comerciais desleais, mencionando inclusive o sistema de pagamentos instantâneos PIX como um elemento de desequilíbrio e proteção de mercado.
A reação do Palácio do Planalto foi enfática ao classificar a proposta como injustificável e politicamente motivada. Além das questões técnicas, a nota do governo brasileiro introduz um componente político doméstico sensível: o texto afirma que a investigação, iniciada em julho de 2025, teria sido estimulada por articulações da família Bolsonaro junto a autoridades americanas. Segundo o comunicado, houve uma tentativa deliberada de "sabotagem" contra os interesses nacionais, citando especificamente viagens e gestões feitas pelo senador Flávio Bolsonaro em Washington. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante evento em Goiás, reforçou esse sentimento ao lamentar que o diálogo construído entre os chefes de Estado esteja sendo prejudicado por interesses eleitorais internos, rotulando os envolvidos como "falsos patriotas".
Para fundamentar a resistência brasileira, o governo apresentou uma série de dados econômicos que demonstram uma balança comercial amplamente favorável aos Estados Unidos. Nos últimos 15 anos, o superávit acumulado pelos americanos em trocas de bens e serviços com o Brasil atingiu a cifra de US$ 424,5 bilhões. No ano de 2025, o lucro comercial puro dos EUA em relação ao Brasil foi de US$ 14,46 bilhões, valor que salta para mais de US$ 40 bilhões quando incluídos os serviços. Outro ponto central da defesa brasileira é a abertura do mercado nacional: 76% das importações vindas dos EUA em 2025 entraram no Brasil com tarifa zero, incluindo setores estratégicos como petróleo, gás e aeronaves, resultando em uma alíquota média de tributação de apenas 3,1% sobre os produtos norte-americanos.
O governo também detalhou tecnicamente as áreas questionadas pelo USTR. No que tange ao comércio digital, o Brasil defendeu o PIX como uma infraestrutura pública, neutra e gratuita, utilizada ativamente por empresas americanas no ecossistema de pagamentos local. Em relação à propriedade intelectual, destacou-se que os EUA são os maiores beneficiários do sistema brasileiro, respondendo por 30% dos pedidos de patente. No setor ambiental, fundamental para as atuais relações internacionais, o governo brasileiro pontuou avanços significativos, como a redução de 50% no desmatamento na Amazônia em comparação a 2022 e a queda de 40% na área queimada em 2025, o que desqualificaria sanções baseadas em premissas climáticas.
Diante desse impasse, o Brasil sinaliza que não aceitará passivamente as novas tarifas se elas forem efetivadas. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin classificou as medidas como "injustas" e o governo brasileiro já acena com a possibilidade de aplicar a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional. Isso significa que, caso as exportações brasileiras sejam sobretaxadas, o Brasil poderá adotar medidas espelhadas contra produtos americanos para mitigar os danos à sua economia. Por ora, o foco permanece no diálogo diplomático até o prazo final de 15 de julho de 2025, visando honrar o compromisso firmado entre os presidentes Lula e Trump de buscar uma solução negociada que evite uma guerra comercial prejudicial a ambos os países, embora o Brasil reforce que a soberania nacional e a estabilidade de seus empregos serão prioridades inegociáveis.
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Sobre este conteúdo
Autor: Editores
Publicado: 2 de junho de 2026 às 14:00
Atualizado: 22 de junho de 2026 às 17:33
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