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Banco do Brasil corta metas para 2026 após queda acentuada no lucro trimestral

Instituição reduziu projeção anual para até R$ 22 bilhões após inadimplência no agro impactar resultados do primeiro trimestre.

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Redação 360 Notícia
14 de maio de 2026 às 03:002 min
Banco do Brasil corta metas para 2026 após queda acentuada no lucro trimestral
Foto: Reprodução
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O Banco do Brasil reduziu sua projeção de lucro para 2026 após o resultado do primeiro trimestre recuar mais de 50%. O setor de agronegócio foi o principal responsável pela pressão financeira.

O Banco do Brasil (BB) revisou para baixo suas metas financeiras para o fechamento de 2026 após registrar um desempenho trimestral abaixo do esperado. O lucro líquido ajustado da instituição somou R$ 3,4 bilhões entre janeiro e março, o que representa uma retração superior a 50% em comparação ao primeiro trimestre de 2025. Diante desse cenário, a nova projeção de lucro anual foi situada em um intervalo entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.

A deterioração dos números foi impulsionada, principalmente, pelo aumento da inadimplência no setor de agronegócio, área na qual o banco detém forte atuação. O índice de atrasos superiores a 90 dias no crédito rural saltou para 6,22%, impactando as provisões para devedores duvidosos. Consequentemente, o banco elevou sua estimativa para o custo de crédito em 2026, projetando agora gastos que podem chegar a R$ 70 bilhões para cobrir eventuais calotes.

Para mitigar as perdas e tentar recuperar ativos, a gestão do BB intensificou as ações de cobrança e judicialização de processos, que já dobraram no início deste ano em relação a todo o período anterior. Segundo a presidente da estatal, Tarciana Medeiros, o banco tem fortalecido as exigências de garantias para novos contratos, buscando equilibrar o risco em um ambiente econômico mais severo para os produtores rurais.

Apesar do recuo nos lucros e na rentabilidade — com o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) fechando em 7,3% —, o BB apresentou crescimento na margem financeira bruta, reflexo de maiores receitas financeiras. No varejo, o destaque positivo ficou para o crédito consignado, que ajudou a sustentar a carteira de pessoas físicas. Já o crédito para empresas menores seguiu em retração, enquanto o setor de grandes corporações apresentou estabilidade nos índices de inadimplência.

A instituição também confirmou o pagamento de R$ 465,7 milhões em Juros sobre Capital Próprio (JCP) referentes aos primeiros três meses do ano. Os acionistas posicionados até o primeiro dia de junho terão direito ao provento, que será liquidado no dia 11 do mesmo mês. Atualmente, o Banco do Brasil gerencia ativos totais na ordem de R$ 2,6 trilhões e mantém uma rede de quase 4 mil agências pelo país.

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