Ana Flauzina exalta o samba da Bahia no álbum autoral 'Rabiscos para o mar'
A cantora e compositora apresenta 13 faixas autorais que mergulham na cultura baiana e nas raízes da música de matriz africana.

Ana Flauzina lança 'Rabiscos para o mar', seu primeiro disco autoral com 13 faixas que celebram o samba soteropolitano. Com participações de peso e foco na cultura da Bahia, a artista consolida sua transição de compositora de bastidores para intérprete central do gênero.
A cena musical contemporânea ganha um novo e robusto capítulo com o lançamento de "Rabiscos para o Mar", o primeiro álbum autoral da cantora e compositora Ana Flauzina. Disponibilizado oficialmente ao público no final de maio, o projeto reúne 13 canções inéditas que consolidam a trajetória da artista no universo do samba. Embora tenha nascido em Florianópolis (SC) e crescido no Distrito Federal, Flauzina encontrou em Salvador — cidade onde reside há mais de dez anos — a fonte rítmica e espiritual para a sua criação. O disco funciona como um retrato sonoro dessa imersão cultural, estabelecendo uma ponte direta entre a vivência urbana baiana e as tradições ancestrais do gênero.
A transição de Ana Flauzina para o papel de intérprete principal do seu próprio repertório ocorre após um período de reconhecimento nos bastidores e na cena regional. Como compositora, ela já acumula mais de 40 obras em seu catálogo, incluindo "Jangadeiro", canção que foi gravada em 2023 pelo veterano sambista Nelson Rufino, uma das maiores referências do gênero na Bahia. Além de sua faceta criativa, Flauzina é amplamente conhecida por idealizar a roda de samba itinerante "Samba pra Rua", projeto que busca democratizar o acesso à música e ocupar espaços públicos de Salvador, reforçando seu compromisso com a base comunitária da cultura popular.
O álbum "Rabiscos para o Mar" foi precedido por uma estratégia de lançamentos graduais que incluiu os singles "Rebento", "Cidade de Luz" e "Liberdade", faixas que já preparavam o terreno para a sonoridade densa e autêntica do disco completo. Na produção técnica e artística, o trabalho contou com a parceria fundamental da violonista Marília Sodré e do percussionista Tiago Nunes, que assinam a direção musical e os arranjos. Juntos, eles criaram uma atmosfera que equilibra a elegância harmônica do violão com a cadência vigorosa da percussão baiana, resultando em faixas de destaque como "Delirante", que conta com a participação especial da renomada cantora Márcia Short, ex-vocalista da Banda Mel e voz icônica da axé music.
Tematicamente, o disco mergulha fundo nas referências geográficas e religiosas da capital baiana. A canção "Feira de São Joaquim", por exemplo, é uma homenagem explícita à maior feira livre de Salvador, um centro produtor de cultura, sabores e sons que pulsa no cotidiano da cidade. O repertório também é atravessado pela religiosidade de matriz africana, elemento indissociável do samba feito na Bahia. Títulos como "Erê Sagrado" e "Sete Saias para Rodar" evidenciam essa conexão espiritual, enquanto músicas como "Dentro dos Seus Carnavais" e "Sem Samba Não Vai Dar" exploram a alegria e a resistência inerentes às festas de largo e às celebrações populares.
Para o mercado fonográfico brasileiro, o surgimento de um álbum inteiramente autoral como o de Ana Flauzina representa o fortalecimento de uma nova geração de mulheres no samba. O projeto reafirma a capacidade de renovação do gênero, que se mantém vivo e dialogando com as questões contemporâneas de identidade e território. Ao unificar as influências de sua formação diversa com a paixão pelo sotaque rítmico da Bahia, Ana Flauzina entrega uma obra que não apenas celebra o mar e o Recôncavo, mas que se posiciona como um documento importante da atual produção independente nacional. O futuro da artista agora se volta para a circulação nacional do espetáculo baseado no álbum, prometendo levar um pouco do calor soteropolitano para palcos de outras regiões do país.






