Agroecologia impulsiona produção de cafés especiais e sustentáveis no Espírito Santo
Cultivo de café sob a sombra da Mata Atlântica melhora a qualidade do grão e eleva lucros de produtores no ES.

Produtores capixabas investem no sistema agroflorestal para criar cafés especiais com maior valor de mercado e baixo impacto ambiental.
O setor cafeeiro do Espírito Santo está vivenciando uma transformação com a expansão do sistema agroflorestal, que integra o cultivo do grão à preservação da Mata Atlântica. Nesse modelo, os cafezais crescem sob a sombra de vegetação nativa, o que proporciona um desenvolvimento mais lento e equilibrado para as plantas. Essa técnica resulta em grãos com maior concentração de açúcares naturais e sabores mais complexos, elevando a categoria da bebida para o segmento de cafés especiais.
A sustentabilidade é o pilar central dessa prática, que dispensa insumos químicos em favor de adubos orgânicos provenientes de resíduos animais e da poda das próprias árvores. O manejo exige um cronograma rigoroso: durante os meses de calor intenso, a copa das árvores protege os arbustos do sol direto; já no período de clima ameno, a poda é realizada para facilitar a colheita e a entrada de luz necessária. Além do benefício ambiental, o controle de qualidade pós-colheita, que inclui secagem em terreiros suspensos e acompanhamento do Incaper, garante um produto final de excelência.
Economicamente, o café agroecológico apresenta uma rentabilidade atrativa, podendo atingir valores de mercado quatro vezes superiores aos tipos convencionais. Esse lucro elevado compensa o cuidado artesanal e atende a uma demanda crescente por produtos rastreáveis e ecológicos. Como o Espírito Santo é responsável por 70% do café conilon brasileiro, a adoção de métodos sustentáveis reforça a liderança do estado no agronegócio nacional e sinaliza um futuro de convivência harmoniosa entre produção e bioma.






