Adeus a Alfredo Bertini: Morre o criador do Cine PE e pilar do cinema nacional aos 65 anos
Principal articulador do cinema pernambucano, economista faleceu após complicações de um transplante de fígado; festival celebra 30 anos em 2026.

Morre aos 65 anos Alfredo Bertini, economista e criador do Cine PE. O idealizador de um dos maiores festivais de cinema do país faleceu após complicações de um transplante de fígado, deixando um legado histórico para o audiovisual brasileiro.
A cultura brasileira e o setor audiovisual do Nordeste amanheceram de luto nesta sexta-feira com a confirmação do falecimento de Alfredo Bertini, renomado economista e mente por trás de um dos eventos cinematográficos mais tradicionais do país: o Cine PE. Aos 65 anos, Bertini não resistiu a complicações decorrentes de um transplante de fígado. O óbito ocorreu na noite de quinta-feira, 4 de junho de 2026, no Hospital Nossa Senhora das Neves, localizado em João Pessoa, Paraíba, onde ele estava sob cuidados médicos. A notícia foi confirmada oficialmente pela organização do festival, gerando uma onda de comoção entre autoridades, cineastas e admiradores da sétima arte.
A trajetória de Alfredo Bertini é intrinsecamente ligada ao desenvolvimento econômico e cultural de Pernambuco. Formado em economia, ele soube utilizar sua visão técnica para estruturar projetos que, inicialmente, pareciam ambiciosos demais para o cenário regional. Ao lado de sua esposa, Sandra Bertini, ele idealizou o Cine PE — Festival do Audiovisual na metade da década de 1990. O evento completou três décadas de existência em 2026, consolidando-se como um termômetro vital para a produção cinematográfica nacional. O festival, que estava em plena realização de sua edição atual no momento do falecimento do criador, tornou-se o palco de grandes lançamentos e de debates fervorosos sobre as políticas de fomento ao cinema no Brasil.
O impacto do trabalho de Bertini ultrapassa as telas dos cinemas. Ele transitou com habilidade pela vida pública, ocupando cargos de gestão e atuando como uma ponte necessária entre o setor privado, o governo e a classe artística. Sua capacidade de diálogo permitiu que o Cine PE sobrevivesse a diferentes crises econômicas e mudanças de governos, mantendo sempre o Recife no mapa das grandes mostras competitivas. Durante anos, o festival foi carinhosamente apelidado de "o festival das multidões", devido à sua capacidade de lotar o histórico Teatro Guararapes e, posteriormente, o Cinema São Luiz, democratizando o acesso a filmes que muitas vezes não chegavam ao circuito comercial tradicional.
Autoridades locais manifestaram pesar imediato. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, destacou que o legado de Bertini permanecerá vivo na estrutura do audiovisual pernambucano, ressaltando a coragem do economista em apostar na cultura como vetor de desenvolvimento. Da mesma forma, o prefeito do Recife, Victor Marques, enfatizou que Bertini ajudou a transformar a capital pernambucana em um polo de referência, atraindo produtores e artistas de todo o continente. Para o setor, Alfredo não era apenas um organizador, mas um estrategista que entendia a importância da cadeia produtiva que envolve desde o técnico de som até os grandes distribuidores, defendendo sempre a valorização da identidade brasileira nas telas.
O funeral foi organizado para ocorrer na sede social do Sport Club do Recife, clube do qual Bertini era associado e entusiasta, simbolizando sua forte ligação com as raízes recifenses. As cerimônias de despedida reúnem não apenas familiares, como a esposa Sandra e os filhos Vitor e Patrícia, mas também uma legião de profissionais do cinema que encontraram no Cine PE a primeira janela de exibição para suas obras. Mesmo diante da perda irreparável, a organização do festival decidiu manter as atividades programadas até o próximo domingo, incluindo homenagens especiais ao seu fundador durante as sessões, como forma de honrar o compromisso inabalável que Alfredo Bertini sempre teve com o público e com a continuidade da arte cinematográfica no Brasil.





