O manipulador mais perigoso que existe é o coitado.
Ele não precisa levantar a voz. Basta despertar sua culpa, transformar os próprios erros em sofrimento e fazer você acreditar que é responsável por tudo o que acontece com ele. Sua maior arma é se apresentar como vítima em todas as situações.
O coitado profissional nunca está errado. Se você o confronta, é cruel. Se estabelece limites, está abandonando alguém que precisa de ajuda. Se decide se afastar, torna-se ingrato. Assim, em vez de responder pelas próprias atitudes, ele transforma você em culpado por questioná-lo.
Essa manipulação é perigosa porque parece compaixão. Você começa ajudando, depois cede e, quando percebe, está sacrificando sua paz para manter alguém confortável na própria irresponsabilidade.
Existe uma diferença entre quem realmente sofre e quem utiliza o sofrimento para controlar os outros. Quem precisa de ajuda merece compreensão, mas isso não significa que você deva destruir a própria vida para provar que se importa.
Nem todo coitado é manipulador, mas quem domina a arte da vitimização sabe transformar sua bondade em uma fraqueza explorável. Quanto mais você cede, mais difícil se torna dizer não.
Aprenda. Você pode ter compaixão sem se tornar refém. Pode ajudar sem assumir responsabilidades que não são suas. E pode se afastar sem carregar a culpa por escolher a própria paz.
Quando alguém faz você se sentir uma pessoa ruim toda vez que estabelece limites, talvez o problema não seja sua falta de bondade, mas o fato de essa pessoa ter se acostumado a ter acesso ilimitado a ela.
Antonio Marcos de Souza
