Quero um AMOR em CAIXA ALTA. Um amor dito em voz firme, clara, sem hesitação. Não falo do amor romântico que aprisiona mais que liberta, que exige mais do que consola, que sufoca mais do que deixa respirar. Nada a ver com amor romântico aqui. Falo do amor livre — aquele que não tem amarras, não tem hipocrisia, não tem medo de existir.

Um amor que se assume como nos finais de filme, quando os personagens finalmente revelam o que sentem e a cena se fecha com uma canção bonita, selando a verdade que sempre esteve ali. Um presente dos roteiristas ao que é simples, leal e honesto.

Desejo um amor que se grita: EU TE AMO!
Não desses sussurrados nos corredores, ditos apenas quando ninguém vê, escondidos por vergonha ou por falta de reciprocidade. Não quero o amor que se encolhe. Amor de verdade é visto, falado, cantado. Vira música, atravessa gerações, permanece.

Não quero o amor movediço, que muda conforme a conveniência, que aparece quando sobra espaço numa conversa, num trabalho, numa vida. Não quero ser sobra, pois o que sobra é resto. Quero um amor amigo, que não teme se expor, que não foi envenenado por mentes cancerígenas que enxergam maldade em tudo. Gente que, por ter vivido afetos genérico de placebo, passa a desconfiar de qualquer gesto sincero — e tenta reproduzir nos outros o mesmo modelo corrosivo que recebeu.

Quanto a mim, fechei todas as fendas. Todas as brechas. Não permito que esse tipo de veneno se instale. Ele corrói silenciosamente, destrói amizades, dissemina medo, escuridão, desconfiança, ódio e segregação. Há pessoas que carregam esse poder de destruição como rastilho de pólvora, talvez porque foram criadas em ambientes onde o afeto era arma, não abrigo. Tentam replicar o que aprenderam, mesmo que isso custe a paz dos outros.

Eu quero o contrário disso.
Quero o amor que abraça com lealdade, sinceridade, justiça. O amor que reflete o que é divino. Porque, apesar das tragédias que testemunhei, o meu amor — e a minha capacidade de amizade — permanecem intactos. Não me deixo levar por opiniões alheias. TENHO CONVICÇÕES, e me apego ao que sei ser correto. Vivi a transição de épocas, convivi com muitos tipos de pessoas, aprendi a filtrar quem pode ou não se sentar ao meu lado. E o inverso também é verdade.

CONSELHO: nunca se deixe ENVENENAR. ESCUTE, OBSERVE e MANTENHA suas CONVICÇÕES INTOCÁVEIS. Afaste-se devagar, porque até os melhores metais, quando expostos à ferrugem, acabam corroídos e por fim incinerados. Proteja-se!

Reafirmo:
Quero meu amor em caixa alta.
Quero meu AMOR GRITADO!

Antonio Marcos de Souza