Vítima de hepatite A em Juiz de Fora era cuidadora e ajudou em enchentes antes de adoecer
Cidade mineira registra primeira morte pela doença em 2026 em meio a explosão de casos que supera última década.

A cuidadora Ângela Cristina Terra Pinto, de 60 anos, é a primeira vítima fatal de hepatite A em Juiz de Fora em 2026. A cidade concentra a maioria dos casos de Minas Gerais este ano.
Juiz de Fora registrou o primeiro óbito confirmado por hepatite A no ano de 2026. A vítima é Ângela Cristina Terra Pinto, uma cuidadora de idosos de 60 anos, descrita por familiares como uma pessoa extremamente ativa e dedicada. Ela faleceu no dia 30 de abril, após enfrentar um quadro de rápida deterioração da saúde que começou com sintomas semelhantes aos de uma gripe forte e evoluiu para falência hepática e complicações renais em poucos dias.
A principal suspeita da família é de que o contágio tenha ocorrido no final de fevereiro, quando Ângela se voluntariou para ajudar amigos na limpeza de uma residência atingida por enchentes. Segundo relatos de sua filha, Thaís Terra, o contato com o vírus teria acontecido durante as ações de recuperação pós-chuva, o que condiz com o período de incubação da doença. Embora o Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus tenha confirmado o diagnóstico laboratorial, a Prefeitura de Juiz de Fora mantém a morte sob investigação para avaliar outros fatores clínicos e epidemiológicos.
A perda de Ângela ocorre em um momento crítico para a saúde pública local. Somente nos primeiros quatro meses de 2026, o município contabilizou 808 infectados, o que representa mais de 70% de todas as ocorrências de hepatite A no estado de Minas Gerais. Este volume de casos é alarmante por superar a soma total de registros dos últimos dez anos na cidade, evidenciando uma disseminação atípica do vírus por diversas regiões do território urbano.
Apesar dos números expressivos e da concentração de casos nas zonas Central e Sul, a administração municipal nega a existência de um surto e afirma que as notificações começaram a apresentar uma tendência de queda nas últimas semanas. As autoridades reforçam a importância do monitoramento contínuo, enquanto a rede hospitalar segue em alerta para identificação precoce de novos pacientes graves.




