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Suprema Corte dos EUA valida mapa do Alabama que reduz poder de voto da população negra

Decisão de maioria conservadora permite fragmentação de distritos de maioria negra, favorecendo a base republicana nas eleições de meio de mandato.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 07:003 min
Suprema Corte dos EUA valida mapa do Alabama que reduz poder de voto da população negra
Foto: Reprodução
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A Suprema Corte dos EUA validou o manuseio de mapas eleitorais no Alabama, reduzindo a força do voto de eleitores negros e favorecendo o Partido Republicano. A decisão reverte bloqueios judiciais anteriores e impacta diretamente a disputa pelo controle do Congresso em novembro.

A Suprema Corte dos Estados Unidos proferiu uma decisão de grande impacto político e social ao autorizar que o estado do Alabama utilize um mapa eleitoral favorável ao Partido Republicano para as próximas eleições de meio de mandato. A medida, tomada na última terça-feira (2), reverte decisões de instâncias inferiores e permite a fragmentação de distritos onde a população negra exercia influência significativa. Na prática, a mudança elimina um dos dois distritos em que eleitores negros representavam a maioria ou quase a maioria do eleitorado, o que deve dificultar a reeleição de representantes democratas e fortalecer a base de apoio ao ex-presidente Donald Trump no Congresso.

O caso insere-se em um contexto histórico de tensões sobre a representatividade racial no Sul dos Estados Unidos. O redesenho dos distritos, processo conhecido como redistritamento, ocorre tradicionalmente a cada dez anos após o censo populacional. No entanto, a disputa atual no Alabama ganhou contornos de urgência após movimentos políticos que visam ampliar maiorias legislativas. A decisão da Suprema Corte, que detém uma maioria conservadora de 6 a 3, suspendeu o bloqueio imposto anteriormente por um painel federal de três juízes. Estes magistrados de instâncias inferiores haviam concluído que o mapa proposto pelos republicanos discriminava intencionalmente os eleitores negros, violando o princípio constitucional de proteção igualitária perante a lei.

A principal técnica utilizada nesta reconfiguração é o chamado "gerrymandering", que consiste na manipulação deliberada das fronteiras geográficas dos distritos eleitorais. Ao desmembrar comunidades que votam em bloco, como é o caso da população negra no Alabama — que historicamente apoia candidatos do Partido Democrata —, os proponentes do novo mapa conseguem diluir o poder de voto desse grupo. Com cerca de 25% da população do estado composta por cidadãos negros, a redução para apenas um distrito de representatividade majoritária é vista por defensores dos direitos civis como um retrocesso democrático. Organizações como o Fundo de Defesa Legal da NAACP argumentam que o estado não possui interesse legítimo em promover mapas que perpetuem a discriminação racial.

As implicações desta decisão ultrapassam as fronteiras do Alabama e refletem uma tendência crescente em outros estados de maioria republicana. Recentemente, estados como Tennessee e Louisiana também adotaram medidas para eliminar ou fragmentar distritos com populações negras significativas. Esse movimento ganhou força após interpretações recentes da Suprema Corte que enfraqueceram a Lei dos Direitos de Voto de 1965, um pilar da legislação norte-americana desenhado para impedir que estados utilizassem critérios raciais para cercear o voto de minorias. A atual guinada do Poder Judiciário sugere um padrão legal mais rigoroso para contestar tais divisões territoriais, o que beneficia diretamente a estratégia eleitoral republicana para o pleito de novembro.

Para o eleitor brasileiro e o observador internacional, o cenário destaca a profunda polarização política nos Estados Unidos e a importância das cortes superiores na definição das regras do jogo democrático. Enquanto os republicanos alegam que o uso de mapas desenhados por tribunais causaria "danos irreparáveis" e ignoraria os objetivos de zoneamento do estado, os juízes liberais da Suprema Corte manifestaram divergência contundente. Eles alertam que a desarticulação de distritos atualmente representados por legisladores negros, como o de Shomari Figures, compromete a diversidade no Capitólio. O desdobramento imediato será a aplicação deste novo mapa nas urnas, o que pode garantir aos republicanos cadeiras cruciais na Câmara e no Senado, consolidando o controle conservador em washington e alterando o equilíbrio de poder nos próximos anos.

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