Salvator Rosa abre temporada de grandes espetáculos no Festival Amazonas de Ópera
Clássico de Carlos Gomes leva drama e história ao Teatro Amazonas em noite de casa cheia.

A obra clássica de Carlos Gomes emocionou o público no Teatro Amazonas durante a 27ª edição do festival, unindo história, revolução e drama artístico no palco manauara.
A 27ª edição do Festival Amazonas de Ópera celebrou, na última sexta-feira, a estreia da montagem "Salvator Rosa" com lotação máxima no Teatro Amazonas. A obra, composta pelo brasileiro Carlos Gomes em 1874, é um drama lírico que entrelaça elementos históricos da rebelião napolitana com tramas ficcionais de romance e conflito familiar. Sob a regência do maestro Luiz Fernando Malheiro, o espetáculo reafirma a tradição do evento em resgatar o legado musical de Gomes, destacando a densidade narrativa e a capacidade da música em cativar o público manauara.
A produção mobilizou um expressivo corpo artístico de músicos, bailarinos e cantores, que passaram por semanas intensas de preparação e ensaios abertos. Para a soprano carioca Maria Gerk, a experiência foi marcada pela conciliação entre a carreira lírica e a maternidade, necessitando de uma rede de apoio para levar seu filho de quase dois anos à temporada em Manaus. No palco, o protagonismo coube ao tenor chileno Enrique Bravo, que interpreta o pintor e revolucionário italiano, expressando sua gratidão pelo acolhimento no estado do Amazonas durante o processo criativo.
Além da excelência técnica e artística, o festival cumpre um papel social de democratização cultural. Flávia Furtado, diretora executiva do evento, enfatiza que o espetáculo ajuda a quebrar barreiras ideológicas que rotulam o gênero como elitista, aproximando a música erudita do cotidiano da população. A resposta positiva dos espectadores, como a de turistas emocionados com a acústica e a dramaticidade dos quatro atos da peça, reforça o festival como um patrimônio imaterial de relevância nacional.






