Professor de Yale questiona domínio de idosos na economia e política americana
Samuel Moyn defende aposentadoria compulsória e transferência de ativos para combater a concentração de poder nas mãos de idosos nos EUA.

Em novo livro, o professor Samuel Moyn, de Yale, propõe medidas drásticas para reduzir a concentração de riqueza e poder político nas mãos de idosos nos Estados Unidos.
O cenário político e econômico dos Estados Unidos está no centro de um novo debate acadêmico provocado por Samuel Moyn, docente de Direito e História na Universidade Yale. Em sua obra "Gerontocracy in America", com lançamento previsto para junho, o autor examina o fenômeno da concentração de recursos e influência nas mãos das gerações mais longevas. Moyn argumenta que a sociedade americana se transformou em uma gerontocracia, onde a permanência prolongada de idosos em postos de comando acaba limitando as oportunidades para o público jovem.
A análise do professor aponta que o envelhecimento das lideranças em tribunais, corporações e órgãos legislativos não é um movimento intencional de má-fé, mas sim um reflexo da negação da finitude humana. Segundo o autor, essa retenção de poder tem consequências práticas: o financiamento de campanhas que mantêm o status quo e a elevação da idade média de eleitores e proprietários de imóveis. Moyn destaca que a falta de renovação impede que novas pautas e perspectivas ganhem espaço no mercado de trabalho e na gestão pública.
Para enfrentar o que denomina "tirania dos velhos", o acadêmico sugere medidas que têm gerado controvérsia por flertarem com o etarismo. Entre as propostas estão o retorno da aposentadoria obrigatória para desocupar cargos de chefia e a criação de incentivos para que idosos transfiram seus bens imobiliários e riquezas de forma antecipada para as novas gerações. No campo político, ele defende reformas que poderiam dar maior relevância ao sufrágio dos cidadãos mais jovens.
Apesar do tom combativo, Moyn ressalta a necessidade de garantir que essa transição não deixe a população sênior em situação de vulnerabilidade financeira. O debate levantado pelo professor de Yale ecoa tensões geracionais presentes também em outros países, como o Brasil, onde o aumento da expectativa de vida tensiona a convivência entre a experiência dos veteranos e a necessidade de ascensão profissional e econômica dos jovens que ingressam no mercado.






