Primeira semaglutida nacional tem preço máximo definido e promete baratear tratamento em 30%
Anvisa define teto de preços para o Ozivy, e fabricante EMS promete valores 30% inferiores ao concorrente estrangeiro.

Com a definição do teto de preços pela Anvisa, a caneta de semaglutida brasileira, Ozivy, deve chegar ao mercado com valores até 30% menores que o Ozempic. A EMS promete preços em torno de R$ 630 para as versões de menor dosagem, aumentando a competitividade e acessibilidade ao tratamento de diabetes e obesidade.
O cenário farmacêutico brasileiro acaba de registrar um marco histórico com a definição do teto de preços para o Ozivy, o primeiro medicamento à base de semaglutida desenvolvido por uma indústria nacional, a EMS. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), estabeleceu que o limite máximo de preço para o produto será equivalente ao praticado pelos líderes mundiais do segmento, como o Ozempic e o Wegovy, ambos fabricados pela dinamarquesa Novo Nordisk. Embora o teto regulatório tenha sido fixado em R$ 1.077,79 (valor sem carga tributária), a farmacêutica brasileira já sinalizou uma estratégia agressiva para garantir competitividade, prometendo valores consideravelmente inferiores aos do teto oficial para atrair os consumidores que buscam tratamentos metabólicos.
A chegada de uma versão nacional da semaglutida ocorre em um momento de transição de patentes, permitindo que laboratórios brasileiros utilizem a tecnologia para a fabricação de biocombustíveis e fármacos biossimilares. O Ozivy foi classificado pela CMED na chamada "categoria 4", que engloba novas apresentações de medicamentos que já possuem correspondentes já estabelecidos no mercado farmacêutico. Essa classificação é fundamental, pois vincula o preço máximo do novo produto às referências de mercado já validadas, garantindo que a nova opção não encareça o tratamento, mas sim amplie a concorrência. Na prática, a definição do teto é um requisito obrigatório para que o medicamento possa ser distribuído e vendido legalmente em drogarias e hospitais pelo país.
Os detalhes sobre a precificação revelam como os impostos regionais influenciam o bolso do brasileiro. Enquanto o valor base sem ICMS é de aproximadamente R$ 1.077,79 para as canetas de 1,5 ml, o preço final nas prateleiras pode ser bem maior dependendo do estado de comercialização. Em São Paulo, onde a alíquota do imposto estadual é de 18%, o limite máximo ao consumidor atinge R$ 1.314,37. Já em Alagoas, onde o imposto é de 19%, o teto chega a R$ 1.330,60. Para as embalagens com dosagem maior, contendo 3 ml, o preço teto sem tributação foi fixado em R$ 1.399,72. Contudo, é importante destacar que a EMS pretende praticar uma política de preços cerca de 30% menor que o valor de mercado atual da marca líder, o que poderia reduzir o custo final para aproximadamente R$ 630 nas dosagens menores, tornando o tratamento muito mais acessível para a população geral.
As implicações desta aprovação são profundas para o sistema de saúde e para a economia doméstica. O Brasil tem uma das maiores populações com diagnóstico de diabetes tipo 2 e obesidade do mundo, e a alta demanda global pela semaglutida gerou crises de abastecimento e preços proibitivos nos últimos anos. Com a entrada da produção nacional, espera-se não apenas uma estabilização na oferta, mas uma guerra de preços que beneficie o consumidor final. Especialistas do setor indicam que a movimentação da EMS é apenas a primeira de uma série, já que a Anvisa possui quase duas dezenas de pedidos de registro sob análise para fármacos semelhantes. A quebra da hegemonia da Novo Nordisk no território brasileiro força a gigante estrangeira a repensar suas estratégias de fidelização e descontos progressivos para manter sua fatia de mercado.
O próximo passo para a consolidação do Ozivy no mercado será a divulgação oficial do calendário de distribuição e a tabela definitiva de preços voltada ao consumidor, prometida pela EMS para os próximos dias. A farmacêutica está autorizada a fabricar quatro formatos diferentes do injetável, variando entre canetas únicas e kits com duas unidades, todos mantendo a concentração padrão de 1,34 mg/ml. A expectativa é que o produto chegue às farmácias ainda neste semestre, inaugurando uma nova fase na medicina metabólica brasileira. Para o paciente brasileiro, a chegada do Ozivy representa a democratização de uma terapia inovadora, antes restrita a altas faixas de renda, agora sob o selo de qualidade da indústria nacional.






