Polícia investiga influenciador por usar IA para sexualizar jovens evangélicas
Mais uma adolescente denunciou Jefferson de Souza pela criação de vídeos com deepfake que simulam cenas de conotação sexual com fiéis da CCB.

Uma nova adolescente de 17 anos denunciou o influenciador Jefferson de Souza por usar inteligência artificial para criar vídeos sexualizados com fotos dela. O caso é investigado como crime previsto no ECA e difamação em São Paulo.
As autoridades policiais de São Paulo registraram uma nova queixa contra o influenciador digital Jefferson de Souza, de 37 anos, acusado de utilizar ferramentas de inteligência artificial para manipular imagens de fiéis evangélicas. Uma adolescente de 17 anos procurou a Delegacia de Defesa da Mulher após ver fotos suas transformadas em vídeos de teor sugestivo. Segundo o relato, a tecnologia de deepfake foi empregada para simular que a jovem participava de danças sensuais em ambientes religiosos, frequentemente inserindo-a ao lado de outras figuras públicas e mulheres com roupas curtas.
Este é o segundo registro formal envolvendo uma menor de idade sob as mesmas circunstâncias. O suspeito, que reside no interior paulista, alega que as produções tinham o intuito de fazer "humor" e criticar as vestimentas das frequentadoras da Congregação Cristã do Brasil (CCB). Em depoimentos anteriores, ele admitiu o uso de fotos públicas das redes sociais para alimentar a IA, mas afirmou desconhecer que algumas das vítimas não eram adultas. A investigação aponta que diversas mulheres foram alvo da prática, mas o alcance total das montagens ainda é objeto de análise pela Polícia Civil.
O caso está sendo tratado sob a ótica do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), especificamente pelo crime de simulação de cena pornográfica com menores por meio digital, que prevê reclusão e multa. Além disso, o influenciador responde por difamação em relação às vítimas adultas. Enquanto as plataformas digitais anunciaram a remoção de conteúdos que violam suas políticas de segurança, a defesa do acusado sustenta que não houve intenção criminosa nas publicações, apesar de o criador de conteúdo ter reconhecido abertamente em seus perfis a técnica de fazer as imagens "dançarem" por meio da tecnologia.





