Polícia Civil prende dupla suspeita de usar nomes de políticos para aplicar golpes no Paraná
Criminosos abordavam idosos em filas de restaurantes populares e terminais para roubar senhas e cartões bancários.

Polícia Civil do Paraná detém homens que se passavam por assessores para roubar idosos em Curitiba utilizando falsas promessas de benefícios.
A Polícia Civil do Estado do Paraná efetuou a prisão preventiva de dois homens, com idades de 25 e 29 anos, sob a acusação de integrarem um esquema criminoso especializado em aplicar golpes financeiros. A dupla agia em Curitiba e tinha como alvo principal pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica e idosos. A operação policial, realizada na última terça-feira (9), é o resultado de um processo investigativo que monitorava a atuação dos suspeitos em áreas de grande circulação da capital paranaense, onde eles se aproveitavam da boa-fé das vítimas.
De acordo com os detalhes fornecidos pelas autoridades policiais, a modalidade do crime envolvia a falsificação de identidade profissional. Os indivíduos se apresentavam como assessores parlamentares, afirmando trabalharem diretamente para deputados estaduais e vereadores conhecidos da região. Com essa justificativa, eles estabeleciam um contato inicial amigável e convincente, prometendo a inclusão das vítimas em programas de assistência social inexistentes, que supostamente seriam custeados ou facilitados por essas figuras políticas influentes.
O método de operação era estratégico e cruel, focando em locais onde as vítimas podiam ser facilmente abordadas enquanto aguardavam por serviços básicos. O delegado responsável pelo caso, Fabiano Oliveira, explicou que os criminosos frequentavam as imediações de restaurantes populares e terminais de transporte coletivo urbano. Nesses pontos, eles interceptavam pessoas, geralmente idosas, oferecendo benefícios imediatos como a entrega de cestas básicas mensais ou auxílios em dinheiro. Para viabilizar o suposto cadastro jurídico e administrativo, os estelionatários solicitavam os cartões bancários e as respectivas senhas, alegando que os dados eram necessários para a liberação do benefício.
Uma vez em posse dos dispositivos bancários e das informações sigilosas, os suspeitos realizavam saques vultosos e transferências indevidas, esvaziando as contas das vítimas antes que estas percebessem que haviam caído em uma armadilha. A investigação ganhou força após o depoimento de uma idosa de 73 anos, que, ao notar a movimentação suspeita em seus extratos bancários, procurou o auxílio da polícia. A partir desse relato, os agentes conseguiram traçar o perfil dos criminosos e identificar o padrão de abordagem utilizado pelo grupo, que explorava a esperança de pessoas com poucos recursos financeiros.
As implicações desse tipo de crime vão além do prejuízo financeiro individual, pois afetam a confiança da população nas instituições públicas e nos processos legítimos de assistência social. A Polícia Civil alerta que órgãos de governo e gabinetes de parlamentares não realizam esse tipo de abordagem direta em vias públicas solicitando dados bancários ou cartões magnéticos para a concessão de auxílios. Qualquer programa de assistência oficial segue protocolos rígidos realizados por meio de Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) ou outros órgãos devidamente identificados.
Após a prisão, os dois homens foram encaminhados ao sistema penitenciário e permanecem à disposição do Poder Judiciário. Eles devem responder pelos crimes de estelionato qualificado e associação criminosa. A polícia agora trabalha para identificar se existem outras vítimas que ainda não formalizaram a denúncia e se há participação de outros indivíduos na rede de fraudes. As autoridades reforçam a importância de que familiares de idosos os orientem sobre os riscos de fornecer senhas a desconhecidos, independentemente do pretexto utilizado.






