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Polícia apreende adolescentes por apologia ao nazismo e ameaças a escola no Amapá

Ação preventiva em Macapá mobilizou inteligência dos EUA e Polícia Civil para impedir possíveis ataques e conter discurso de ódio.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 17:003 min
Polícia apreende adolescentes por apologia ao nazismo e ameaças a escola no Amapá
Foto: Reprodução
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Em uma operação conjunta envolvendo inteligência internacional, a Polícia Civil do Amapá apreendeu três adolescentes de 13 a 15 anos suspeitos de apologia ao nazismo e ameaças contra escolas em Macapá. Materiais extremistas e simulacros de armas foram encontrados durante as buscas.

A Polícia Civil do Estado do Amapá efetuou a apreensão de três adolescentes, com idades variando entre 13 e 15 anos, sob a acusação de envolvimento em práticas de apologia ao nazismo e planejamento de atos violentos em uma unidade de ensino na capital, Macapá. A ação ocorreu no âmbito da "Operação Termópilas", coordenada pela Delegacia Especializada na Investigação de Atos Infracionais (Deiai). De acordo com as investigações, o grupo não apenas exaltava símbolos extremistas, mas também utilizava plataformas digitais para disseminar discursos de ódio e proferir ameaças reais contra a comunidade escolar, gerando um clima de insegurança que exigiu intervenção estatal imediata.

O desdobramento do caso revela a complexidade do monitoramento de crimes cibernéticos e a cooperação internacional necessária para conter o avanço do extremismo entre jovens. A identificação das atividades suspeitas não partiu apenas de denúncias locais, mas de um sofisticado sistema de monitoramento conduzido pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O Homeland Security Investigations (HSI), órgão de inteligência norte-americano, detectou comportamentos de risco e o compartilhamento de conteúdos criminosos na internet por parte desses jovens, repassando os dados ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que por sua vez acionou as autoridades amapaenses para a deflagração da operação preventiva.

Durante as diligências de busca e apreensão nas residências dos envolvidos, os agentes da Polícia Civil localizaram materiais que comprovam a inclinação radical dos adolescentes. Entre os itens apreendidos estavam réplicas de armas de fogo (simulacros) e diversos artefatos com referências explícitas ao nazismo e ideologias de violência extrema. Para a delegada Daniella Graça, titular da Deiai, a apreensão desses objetos é um indício claro de que as ameaças ultrapassavam o campo das mensagens virtuais, apresentando elementos de preparação física para possíveis ataques ou intimidações severas. A investigação agora se debruça sobre os aparelhos celulares confiscados para entender a extensão dessas conexões e se há influência de terceiros ou de grupos maiores operando na chamada "deep web" ou em fóruns de discussões extremistas.

A questão da radicalização juvenil em ambiente escolar tem se tornado um desafio central para a segurança pública brasileira. Especialistas apontam que a adolescência é uma fase de busca por pertencimento, o que torna esse público vulnerável ao recrutamento por células extremistas que operam em redes sociais e aplicativos de mensagens criptografadas. No contexto brasileiro, o aumento de episódios de violência em escolas nos últimos anos acendeu um alerta vermelho, levando ao fortalecimento de protocolos de inteligência como os aplicados nesta operação no Amapá. O debate também se estende à responsabilidade social e familiar, questionando os limites entre a privacidade do menor e o dever de vigilância dos tutores legais diante de condutas que infringem o Código Penal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou a internação provisória dos três adolescentes, que devem passar por audiência de custódia para que sejam definidas as medidas socioeducativas adequadas. A delegada Daniella Graça reforçou a necessidade de pais e responsáveis supervisionarem ativamente o que os filhos acessam e com quem interagem no meio digital, destacando que a internet não é um território sem leis ou rastros. O foco agora é a análise pericial dos dados digitais para mapear se outros estudantes foram cooptados pela ideologia dos detidos e garantir que a escola envolvida retome suas atividades com segurança, reforçando o acompanhamento psicológico e pedagógico dos alunos impactados direta ou indiretamente pela situação.

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