PF identifica 'aparelhos bomba' em nome de mortos usados por alvos da Operação Sem Refino
Investigação revela uso de linhas telefônicas em nome de falecidos por suspeitos de crimes fiscais e agentes públicos.

Investigados na Operação Sem Refino utilizavam linhas telefônicas registradas em nome de falecidos para evitar rastreamento. Entre os alvos estão o ex-governador Cláudio Castro e agentes da própria Polícia Federal.
As investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Refino revelaram táticas sofisticadas de ocultação utilizadas por alvos do inquérito. De acordo com informações que vieram a público após a retirada do sigilo pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, o grupo utilizava dispositivos móveis apelidados de "aparelhos bomba" e "bombinhas". A estratégia consistia em registrar as linhas telefônicas em nomes de pessoas já falecidas, visando criar uma barreira contra o monitoramento das autoridades e preservar o anonimato dos verdadeiros usuários.
Entre as descobertas da PF, destaca-se uma linha mantida por escrivães da própria corporação lotados no Rio de Janeiro. O número estava vinculado formalmente a um homem morto em 2021, sem qualquer ligação com a polícia. A perícia técnica conseguiu rastrear a utilização desse aparelho após identificar um acesso à rede interna da Polícia Federal realizado através das credenciais funcionais de um dos investigados, confirmando o uso indevido das ferramentas institucionais para fins ilícitos.
A operação, que mira esquemas de evasão fiscal e crimes tributários, tem entre seus alvos figuras influentes, incluindo o empresário Ricardo Magro, o ex-governador Cláudio Castro e Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro. Os investigadores detalharam que o fluxo de comunicações clandestinas envolvia advogados e outros agentes públicos, configurando o que a PF descreveu como um "padrão de ocultação" sistemático. Além dos nomes falsos, o grupo adotava práticas como fotografar telas de documentos em vez de enviar arquivos digitais, tentando evitar que vestígios fossem deixados em transações consideradas sensíveis.




