PF confisca cavalo de luxo e flutuante com pista de dança em operação contra lavagem de dinheiro
Investigação aponta movimentação de R$ 70 milhões e ligação de família mineira com facção criminosa para tráfico de cocaína vinda do Paraguai.

A Operação Mens Occulta da Polícia Federal apreendeu um cavalo de raça e um flutuante com pista de dança ligados a uma família de Uberlândia. O grupo é suspeito de movimentar R$ 70 milhões através do tráfico internacional de cocaína e ostentar bens de luxo incompatíveis com a renda.
A Polícia Federal (PF) deu continuidade, nesta quarta-feira (3), às ações da Operação "Mens Occulta", que investiga um sofisticado esquema de tráfico internacional de drogas e lavagem de capitais operado por uma família residente em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Durante as diligências deste segundo dia de ofensiva, os agentes federais realizaram apreensões cinematográficas que evidenciam o alto padrão de vida mantido pelos suspeitos. Entre os itens confiscados estão um cavalo de competição de raça, avaliado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, e uma embarcação do tipo flutuante motorizado que conta com infraestrutura de luxo, incluindo sistema de som profissional e até uma pista de dança privativa.
O foco das investigações recai sobre Mario Sergio Nunes e suas filhas, Brenda da Silva Nunes e Bruna Nunes, apontados como as lideranças de uma organização criminosa com ramificações profundas. Segundo a PF, o grupo é responsável por coordenar a entrada de cocaína vinda do Paraguai no território nacional. O gado equino apreendido pertencia a Brenda, que é competidora da modalidade hípica de três tambores e utilizava o esporte como vitrine para a ostentação de bens. O animal foi localizado em um haras na cidade de Barretos, no interior de São Paulo, polo importante do setor agropecuário e de competições hípicas. Um segundo animal de alto valor, também pertencente à investigada, ainda está sendo procurado pelas autoridades.
A estrutura logística e patrimonial da família Nunes impressiona pela magnitude. Além do flutuante com pista de dança encontrado em Uberlândia, a operação já havia retirado de circulação veículos importados da marca BMW, motos aquáticas e um motorhome de luxo orçado em R$ 1,2 milhão. De acordo com o delegado Felipe Martins Perez Garcia, o grupo movimentou cerca de R$ 70 milhões nos últimos cinco anos sem que houvesse qualquer origem lícita compatível com tais cifras. A investigação aponta que Mario Sergio seria um integrante de relevância na facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e que utilizava suas filhas, uma advogada e uma psicóloga, para dar aparência de legalidade aos negócios da família, servindo como "braços direitos" na administração das finanças ilegais.
O modus operandi da quadrilha envolvia o transporte estratégico de entorpecentes escondidos em fundos falsos de caminhões de carga. A droga ingressava pelo Mato Grosso do Sul e tinha como destino principal o Triângulo Mineiro, de onde era redistribuída para grandes centros urbanos do país. Ao longo de quase dois anos de monitoramento, a Polícia Federal conseguiu vincular o núcleo familiar à apreensão de quase três toneladas de cocaína em diversas intercepções. A defesa dos investigados, representada pelo advogado José Carlos de Oliveira Campos, manifestou em nota que a família confia nas instituições e aguarda o acesso integral aos autos do processo, que tramita sob segredo de justiça, para prestar os devidos esclarecimentos.
O desfecho da Operação "Mens Occulta" — termo em latim que significa "mente oculta", em referência à discrição que o líder tentava manter — ainda depende da captura de sete foragidos, incluindo a psicóloga Bruna Nunes. A Polícia Federal mobilizou mais de 230 agentes em três estados brasileiros (Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul) para cumprir dezenas de mandados. O caso reforça o combate à lavagem de dinheiro no Brasil, demonstrando como o lucro do tráfico é infiltrado na economia formal por meio da aquisição de imóveis rurais, empresas de fachada e bens de luxo excessivo. Os envolvidos poderão ser condenados a penas severas por organização criminosa e tráfico internacional, enquanto os bens apreendidos devem ser leiloados para reverter os valores aos cofres públicos ou ao combate às drogas.






