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Perito criminal agride e ameaça coletores de lixo com arma em Goiânia

Servidor da Polícia Científica estava afastado e não possuía porte de arma; agressão contra coletores foi registrada por câmeras.

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Redação 360 Notícia
4 de junho de 2026 às 00:002 min
Perito criminal agride e ameaça coletores de lixo com arma em Goiânia
Foto: Reprodução
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Um perito criminal da Polícia Científica de Goiás, identificado como Ricardo Rezende de Morais, foi filmado agredindo um coletor de lixo e ameaçando trabalhadores com uma arma em Goiânia. O servidor já estava afastado das funções e não possuía porte de arma desde 2019.

Um episódio de violência envolvendo um servidor público da área de segurança causou indignação em Goiânia nesta semana. Ricardo Rezende de Morais, perito criminal vinculado à Polícia Científica de Goiás, foi flagrado agredindo e ameaçando coletores de lixo com uma arma de fogo. O incidente ocorreu na noite de segunda-feira (1º), ganhando repercussão após a divulgação de imagens de câmeras de segurança acopladas ao caminhão de limpeza urbana. A agressão aconteceu em uma rua estreita da capital, onde os trabalhadores realizavam a coleta rotineira de resíduos sólidos de um condomínio residencial.

De acordo com os registros em vídeo, o veículo conduzido pelo perito ficou retido atrás do caminhão de coleta, que estava parado para que os profissionais esvaziassem as lixeiras. Enquanto outros automóveis conseguiram transitar pelo espaço restrito, Morais demonstrou impaciência. As imagens mostram o momento em que ele desce de seu carro e desfere um tapa contra um dos coletores do consórcio LimpaGyn. No ápice da tensão, o servidor saca uma arma de fogo e passa a proferir ameaças contra a equipe de limpeza, que interrompeu as atividades diante do risco iminente de morte.

Diante da gravidade dos fatos, a Polícia Científica de Goiás emitiu um posicionamento oficial esclarecendo a situação funcional do envolvido. Segundo a corporação, Ricardo Rezende de Morais já estava afastado de suas atividades profissionais desde janeiro de 2025. O órgão destacou um detalhe fundamental para a investigação criminal: o perito não possuía porte funcional de arma de fogo. Desde 2019, o servidor era restrito a funções exclusivamente administrativas, não tendo recebido armamento institucional nem autorização para adquirir armas de uso restrito, o que pode agravar sua situação jurídica quanto à posse e ao uso do revólver exibido no vídeo.

Este caso levanta uma discussão relevante sobre a segurança e o respeito aos trabalhadores de serviços essenciais no Brasil. Os coletores de lixo, muitas vezes invisibilizados pela sociedade, enfrentam diariamente riscos biológicos, ergonômicos e, como demonstrado neste episódio, a vulnerabilidade diante da intolerância urbana. O consórcio LimpaGyn, responsável pelo serviço na capital goiana, formalizou um boletim de ocorrência na quarta-feira (3), classificando o ato como inaceitável. Além das medidas legais, a empresa informou que os trabalhadores agredidos receberão apoio psicológico para lidar com o trauma causado pela violência gratuita durante o exercício do trabalho.

As implicações para o perito Ricardo Rezende de Morais são severas e devem tramitar em duas esferas. No âmbito administrativo, a Polícia Científica afirmou ter iniciado os procedimentos disciplinares para apurar a conduta ética do servidor, o que pode resultar em sanções definitivas. Na esfera criminal, a polícia Civil deve investigar a natureza da arma utilizada e as ameaças proferidas. O caso reitera a necessidade de fiscalização rigorosa sobre agentes de segurança, mesmo aqueles em funções administrativas, garantindo que o aparato do Estado não seja utilizado para intimidar cidadãos. Espera-se que o inquérito avance nos próximos dias com o depoimento das vítimas e do agressor.

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