Notícias

Paralisia urbana: Obras no entorno do Masp acumulam atrasos e geram degradação na Paulista

Bloqueio de rua para obras do museu completa 18 meses enquanto projeto de boulevard e revitalização do Mirante Nove de Julho permanecem sem prazo.

Por
Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 23:003 min
Paralisia urbana: Obras no entorno do Masp acumulam atrasos e geram degradação na Paulista
Foto: Reprodução
Compartilhar

Com atrasos nas obras do túnel de conexão e o projeto do boulevard travado na Prefeitura de São Paulo, entorno do Masp enfrenta abandono. Rua fechada há um ano e meio virou estacionamento irregular, enquanto o Mirante Nove de Julho segue fechado há cinco anos.

A região da Avenida Paulista, um dos principais cartões-postais e centros financeiros de São Paulo, enfrenta um período prolongado de indefinições urbanísticas. Mais de um ano e meio após o bloqueio total da Rua Professor Otávio Mendes, as intervenções prometidas pelo Museu de Arte de São Paulo (Masp) ainda não foram concluídas, gerando transtornos para pedestres e motoristas. O local, que deveria servir como um elo moderno entre o edifício histórico do museu e seu novo anexo (o Edifício Pietro Maria Bardi), permanece em um estado de transição indefinido, combras atrasadas e um projeto de boulevard que sequer saiu da fase de autorizações administrativas.

O epicentro do impasse é a construção de um túnel subterrâneo destinado a conectar os dois prédios da instituição cultural. Essa passagem é vital para a logística do museu, permitindo a circulação interna de visitantes e acervos com segurança e conforto. Entretanto, o cronograma original não foi cumprido conforme o esperado. Enquanto a estrutura subterrânea avança lentamente, o impacto na superfície é visível: a Rua Professor Otávio Mendes, fechada para o tráfego de veículos desde o final de 2024, transformou-se em um canteiro de obras estagnado e, informalmente, em um estacionamento privativo improvisado, contrariando o espírito de ocupação democrática do espaço público idealizado pela arquiteta Lina Bo Bardi, responsável pelo projeto original do Masp.

Além da conexão subterrânea, o projeto "Jardim do Masp" propõe a revitalização completa da via superior, transformando-a em um boulevard voltado para o lazer. A proposta detalhada em audiências públicas recentes inclui a instalação de arquibancadas de madeira, canteiros verdes, novas árvores e uma área específica para embarque e desembarque de transporte por aplicativo próximo ao Mirante Nove de Julho. Contudo, essa transformação depende de um complexo processo de licitação. A Prefeitura de São Paulo alega que, por lei, não pode simplesmente conceder o espaço ao museu; é necessário realizar um chamamento público para verificar se há outros grupos interessados na gestão do local. Esse edital, de acordo com a administração municipal, ainda está em fase de redação, o que empurra a inauguração do boulevard para um futuro incerto.

O cenário de abandono se estende para as imediações. O icônico Mirante Nove de Julho, situado sob o vão do viaduto da Avenida Paulista, completa quase cinco anos de portas fechadas. O espaço, que já foi um efervescente polo cultural e gastronômico, hoje acumula vegetação entre seus degraus e sinais nítidos de falta de manutenção. A tentativa anterior de converter o mirante no Museu da Revolução Constitucionalista fracassou, e a prefeitura admite que não possui, no momento, um plano definido para o reaproveitamento da área. A paralisia estatal atrai outros problemas urbanos, como ocupações irregulares sob o viaduto, ligações clandestinas de energia e o acúmulo de lixo, afetando a segurança e o bem-estar de quem transita pela região central da capital paulista.

Para o cidadão paulistano e para o turista, o sentimento é de frustração diante da degradação de uma área de alto valor histórico e cultural. Especialistas em urbanismo apontam que a demora em finalizar projetos dessa magnitude desvaloriza o patrimônio público e desencoraja a ocupação saudável das ruas. Atualmente, o Masp estima que o túnel de ligação possa ser entregue ainda no segundo semestre deste ano, mas a reabertura da rua para o público depende exclusivamente da agilidade da Prefeitura em destravar o edital do boulevard. Até que isso ocorra, o que era para ser um marco de modernidade arquitetônica segue funcionando como um gargalo urbano, evidenciando o abismo entre os projetos monumentais no papel e a execução prática na metrópole.

#Masp#Avenida Paulista#Urbanismo São Paulo#Obras Masp#Mirante Nove de Julho#Boulevard Masp#Transporte São Paulo#Cultura SP

Leia também