Pai de Henry Borel desabafa após perdão judicial de Monique: 'Mataram meu filho pela terceira vez'
Acusação aponta erro processual em votação de jurados e promete anular decisão que beneficiou mãe do menino; Jairinho pegou 43 anos de prisão.

A decisão que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros no caso Henry Borel gerou revolta e promessas de anulação por parte da acusação. Enquanto Jairinho foi condenado a mais de 43 anos, o pai do menino, Leniel Borel, desabafou sobre o que chamou de 'terceira morte' do filho e criticou o precedente aberto pela Justiça.
O encerramento do longo e exaustivo julgamento do caso Henry Borel, ocorrido na madrugada desta quinta-feira (4), trouxe um desfecho que dividiu opiniões e inflamou os ânimos no tribunal do Rio de Janeiro. Enquanto o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, recebeu uma condenação rigorosa de 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão, o destino jurídico de Monique Medeiros, mãe da vítima, seguiu um rumo inesperado. A juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial a Monique no que tange à acusação de homicídio, declarando ainda que a pena por omissão na tortura já havia sido cumprida. A decisão gerou uma revolta visceral em Leniel Borel, pai do menino, que classificou o resultado como a "terceira morte" de seu filho, referindo-se à falha que enxerga no sistema de justiça brasileiro.
Para compreender a complexidade jurídica que envolveu o veredito de Monique Medeiros, é necessário analisar o processo de quesitação — as perguntas feitas aos jurados que determinam o veredito. De acordo com a acusação e o Ministério Público, houve uma manobra processual controversa durante a votação. O promotor Fábio Vieira relatou que, em um primeiro momento, os jurados teriam reconhecido a responsabilidade dolosa (com intenção ou assumindo o risco) de Monique na morte de Henry. No entanto, após uma insurgência da defesa da ré, os quesitos foram reformulados e submetidos a uma nova votação. Nessa segunda etapa, o crime foi desclassificado para homicídio culposo (sem intenção), permitindo que a magistrada aplicasse o perdão judicial sob o argumento de que a ré já havia sofrido um julgamento social desmedido e preconceitos de gênero.
O assistente de acusação, Cristiano Medina, não poupou críticas à condução do júri e classificou o perdão a Monique como uma "aberração jurídica". A acusação sustenta que a mudança nos quesitos após o início da votação fere os ritos processuais e pretende protocolar um recurso junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro buscando a anulação parcial ou total do julgamento. A tese é de que a vontade soberana dos jurados teria sido alterada pela forma como as perguntas foram reapresentadas. Do outro lado, a defesa de Jairinho também manifestou insatisfação, embora por motivos opostos, alegando que as provas periciais não sustentariam a condenação por agressão e prometendo igualmente recorrer para tentar anular a sentença de quase 44 anos de reclusão.
O contexto do crime remete a março de 2021, quando o pequeno Henry Borel, de apenas 4 anos, morreu após ser deixado sob os cuidados da mãe e do padrasto em um apartamento de luxo na Barra da Tijuca. O laudo da necropsia, fundamental para a condenação de Jairinho, apontou 23 lesões provocadas por ação violenta, incluindo uma laceração hepática fatal que descartou sumariamente a versão inicial de "queda da cama" apresentada pelo casal. Durante o julgamento, especialistas reiteraram que o menino foi vítima de uma sessão de espancamento. Para Leniel Borel, a clemência concedida à Monique abre um precedente perigoso no Brasil, sugerindo que mães que se omitem diante da tortura de seus filhos possam ser beneficiadas por interpretações subjetivas da lei, o que ele descreveu como uma nova violência contra a memória da criança.
A partir de agora, o caso ingressa em uma nova fase nos tribunais de segunda instância. Enquanto Jairinho permanece em regime fechado, Monique Medeiros obteve o alvará de soltura, uma vez que a pena de 1 ano e 4 meses por omissão foi considerada extinta pelo tempo de prisão preventiva já cumprido. O desdobramento jurídico promete ser longo, com batalhas de recursos que tentarão definir se houve erro de procedimento no Tribunal do Júri. Para a sociedade e para o Direito brasileiro, o caso Henry Borel torna-se um marco sobre os limites do perdão judicial, a responsabilidade de garantidores (pais) na proteção de menores e a pressão exercida pela opinião pública sobre o rito do tribunal mais democrático do país.
Leia também
Câmara de Governador Valadares prorroga prazo de inscrições para concurso público

Arthur Lira alerta para riscos de desemprego com fim da escala 6x1 e critica segurança em Alagoas

Desafios do desenvolvimento na Bahia são tema de série especial em período pré-eleitoral

Candidato ao governo de MG propõe mudanças na mineração e criação de bilhete único no Vale do Aço

Sobre este conteúdo
Autor: Editores
Publicado: 4 de junho de 2026 às 04:00
Atualizado: 10 de junho de 2026 às 08:32
Fonte: apuração editorial e informações públicas disponíveis
Quando houver fonte externa, a matéria informa a origem usada como base. A redação do 360 Notícia organiza, contextualiza e atualiza o conteúdo para facilitar a compreensão do leitor.

