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Operação Sunshine 2: Gestoras de ONG são presas por desvio de R$ 600 mil em Maceió

Esquema criminoso envolvia desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro por familiares e tentativa de fraudar investigações.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 14:003 min
Operação Sunshine 2: Gestoras de ONG são presas por desvio de R$ 600 mil em Maceió
Foto: Reprodução
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A Polícia Civil de Alagoas prendeu duas gestoras de uma ONG em Maceió suspeitas de desviar R$ 600 mil em verbas públicas. A Operação Sunshine 2 revelou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo familiares e até fraude processual com o uso de celulares de crianças.

A Polícia Civil do Estado de Alagoas desencadeou, nesta terça-feira (3), a segunda fase da Operação Sunshine, que resultou na prisão preventiva de duas mulheres, de 53 e 58 anos, em Maceió. Elas são as principais suspeitas de um esquema criminoso que teria desviado aproximadamente R$ 600 mil de uma organização não governamental (ONG) que atua na capital alagoana. A entidade em questão recebia repasses de verbas públicas para a execução de serviços sociais e assistenciais, o que agrava a natureza do crime, uma vez que o montante deveria ser destinado ao atendimento direto de populações vulneráveis e à manutenção de projetos comunitários.

As investigações conduzidas pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) revelaram que o desvio de finalidade ocorria de forma sistemática. As mulheres ocupavam cargos estratégicos de gestão dentro da instituição e utilizavam-se dessa posição privilegiada para realizar transferências bancárias irregulares. Conforme o inquérito policial, os recursos saíam das contas oficiais da ONG e eram depositados primeiramente na conta pessoal de uma das investigadas. A partir desse primeiro movimento, o dinheiro era pulverizado em diversas outras contas bancárias, em uma tentativa clara de pulverizar os rastros financeiros e dificultar o trabalho de fiscalização dos órgãos de controle.

A Operação Sunshine 2 é o desdobramento direto de diligências iniciadas ainda no final de 2025. Em novembro daquele ano, as mulheres já haviam sido alvo de mandados de busca e apreensão. Na ocasião, a polícia coletou computadores, documentos e dispositivos eletrônicos que passaram por uma perícia minuciosa. Foi justamente a análise desses dados e a quebra de sigilos bancários que forneceram ao Judiciário os elementos necessários para a decretação da prisão preventiva nesta nova etapa da investigação. Os mandados de prisão e de novas buscas foram cumpridos simultaneamente nos bairros do Poço e Antares, áreas residenciais de Maceió.

Além do desvio dos recursos, a polícia identificou uma sofisticação no método de ocultação de patrimônio. As suspeitas teriam estruturado uma rede de apoio composta por familiares e pessoas de extrema confiança para "lavar" o dinheiro desviado. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a suposta tentativa de fraude processual. Segundo os agentes da Divisão Especial de Combate à Corrupção (Deccor), as investigadas chegaram a entregar celulares que pertenciam aos seus netos no lugar de seus próprios aparelhos pessoais, visando enganar a perícia técnica e ocultar trocas de mensagens e registros de transações que poderiam incriminá-las definitivamente no esquema.

Diante dos fatos narrados, as duas gestoras devem responder por crimes graves, incluindo peculato (apropriação de dinheiro público por quem tem a posse em razão do cargo), lavagem de dinheiro e fraude processual. A 10ª Vara Criminal da Capital, responsável pela expedição dos mandados, determinou que as presas sejam submetidas a uma audiência de custódia antes de serem encaminhadas ao sistema prisional alagoano. O fechamento desta fase da operação sinaliza um endurecimento das autoridades locais contra a criminalidade de "colarinho branco", especialmente em setores sensíveis como o terceiro setor, onde a fiscalização é fundamental para garantir que a assistência chegue a quem realmente precisa.

O caso gera grande repercussão em Alagoas, pois levanta questionamentos sobre os mecanismos de transparência e prestação de contas de entidades que operam com dinheiro do contribuinte. Especialistas apontam que a desarticulação desse tipo de esquema é essencial para manter a credibilidade das ONGs que atuam seriamente. A Polícia Civil informou que o inquérito segue em andamento para identificar se houve a participação de outros beneficiários ou se o valor total do prejuízo aos cofres públicos pode ser ainda maior do que o inicialmente estimado nas primeiras fases da Operação Sunshine.

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