ONU emite alerta global para efeitos extremos do fenômeno El Niño até agosto
Organização Meteorológica Mundial prevê fenômeno de intensidade moderada a forte, com graves riscos para a agricultura, saúde e geração de energia no Brasil.

A ONU alerta que o fenômeno El Niño deve retornar com força a partir de junho de 2026, com impactos severos previstos até agosto. O aquecimento das águas do Pacífico ameaça elevar temperaturas globais, intensificar secas na Amazônia e provocar enchentes no Sudeste brasileiro.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço da ONU especializado em clima, emitiu um comunicado urgente sobre a retomada do fenômeno El Niño a partir de junho de 2026. De acordo com as projeções científicas, o fenômeno climático deverá apresentar uma intensidade que oscila entre moderada e forte, com potencial para se estender pelo menos até o mês de agosto. A preocupação das autoridades globais reside no fato de que o último ciclo do El Niño foi um dos principais catalisadores para que o ano de 2024 quebrasse recordes históricos de temperatura, consolidando-se como o mais quente já registrado pela humanidade. Agora, o retorno do aquecimento das águas do Oceano Pacífico ameaça desequilibrar novamente o regime de chuvas e as médias térmicas em diversas partes do globo, exigindo uma preparação rigorosa por parte dos governos nacionais.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento não é apenas um evento localizado; ele altera a circulação atmosférica global, liberando volumes massivos de umidade para a atmosfera e desorganizando padrões climáticos em áreas extremamente distantes de seu epicentro. Para o Brasil, os antecedentes desse fenômeno são historicamente preocupantes. O desequilíbrio gerado costuma resultar em secas severas no Norte e Nordeste, enquanto as regiões Sul e Sudeste frequentemente sofrem com o excesso de precipitação. O histórico recente mostra que a combinação de um El Niño intenso com o aquecimento global antropogênico potencializa desastres naturais, tornando as ondas de calor mais frequentes e letais, além de intensificar a força de tempestades isoladas.
Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, destacou que o calor extremo já figura entre os perigos climáticos mais mortais da atualidade. Segundo a especialista, a chegada do El Niño intensifica essa ameaça de forma multidimensional. No cenário brasileiro, a preocupação recai sobre setores vitais da economia e da infraestrutura. A geração de energia hidrelétrica, que compõe a base da matriz energética nacional, fica vulnerável à irregularidade das chuvas. Além disso, a ONU alerta para o risco aumentado de incêndios florestais na Amazônia e secas prolongadas no Semiárido. Por outro lado, o Sudeste, especialmente estados como São Paulo e Rio de Janeiro, deve se preparar para a possibilidade de enchentes devastadoras e deslizamentos de terra em áreas de encosta, eventos que costumam causar perdas humanas e prejuízos econômicos bilionários.
Além dos desastres imediatos, os desdobramentos na saúde pública e na segurança alimentar são alarmantes. O aumento das temperaturas médias e a alteração no regime de chuvas criam o ambiente ideal para a proliferação de vetores de doenças tropicais. A incidência de dengue, malária e zika tende a subir significativamente em períodos de El Niño, sobrecarregando os sistemas públicos de saúde. No campo econômico, a pressão sobre o abastecimento de água e a produção agrícola pode elevar o preço dos alimentos, gerando um efeito em cascata que atinge a inflação e a segurança nutricional das populações mais vulneráveis. A interrupção de cadeias produtivas no agronegócio, devido à quebra de safras por seca ou excesso de chuva, é uma realidade que o Brasil já enfrentou em ciclos anteriores e que volta a assombrar o setor produtivo.
Diante desse cenário, a ONU enfatiza que o El Niño é um dos poucos fenômenos climáticos de larga escala que permitem uma previsão com certa antecedência, o que abre uma janela de oportunidade para a mitigação de danos. A implementação de sistemas de alerta precoce e planos de contingência regionais é fundamental para salvar vidas e proteger a infraestrutura urbana. Para o Brasil, o desafio é duplo: monitorar as bacias hidrográficas para garantir a oferta de energia e água, e ao mesmo tempo estruturar a defesa civil para responder a eventos extremos. A preparação para os meses de junho a agosto será determinante para definir como o país atravessará mais este período de instabilidade ambiental, em um mundo onde as fronteiras entre os ciclos naturais e as crises climáticas causadas pelo homem estão cada vez mais diluídas.






