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OMS demanda cessar-fogo urgente no Congo para frear surto mortal de Ebola

Com mais de 200 mortes suspeitas, agência da ONU alerta para 'colisão catastrófica' entre a variante incurável da doença e a guerra civil no leste do país.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 15:003 min
OMS demanda cessar-fogo urgente no Congo para frear surto mortal de Ebola
Foto: Reprodução
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A OMS pede um cessar-fogo imediato na República Democrática do Congo para conter o surto da variante Bundibugyo do ebola. Sem vacinas ou tratamentos aprovados, o vírus avança rapidamente em zonas de conflito, onde a falta de insumos básicos e a insegurança ameaçam a saúde global.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um apelo urgente nesta quarta-feira (27), solicitando a interrupção imediata das hostilidades na porção leste da República Democrática do Congo (RDC). O objetivo central do pedido de cessar-fogo é permitir que as equipes sanitárias consigam frear a rápida propagação de um surto de ebola, que encontra nas zonas de conflito e no deslocamento massivo de civis o ambiente ideal para se alastrar. A situação é classificada como crítica pela agência internacional, uma vez que a violência armada tem impedido o isolamento de pacientes infectados e a assistência básica necessária para conter a transmissão do vírus entre as comunidades vulneráveis do país africano.

O cenário epidemiológico atual é agravado pela presença da variante Bundibugyo, uma cepa do vírus ebola para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados pelos órgãos reguladores globais. Diante da ausência de ferramentas imunobiológicas, a única forma eficaz de controle é o isolamento rigoroso dos doentes e o rastreamento de contatos, medidas que se tornam praticamente impossíveis sob fogo cruzado. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou que o leste da RDC vive uma "colisão catastrófica" entre a saúde pública e a guerra. Segundo o representante, a velocidade com que a moléstia avança na província de Ituri supera a capacidade de resposta humanitária, gerando um descompasso perigoso que pode levar a um desastre de proporções regionais.

De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pelas autoridades sanitárias, o surto já soma mais de 900 casos suspeitos e ultrapassa a marca de 200 óbitos prováveis distribuídos por três províncias orientais do Congo. Entre as áreas mais atingidas estão Kivu do Norte — território sob influência do grupo rebelde M23 — e Kivu do Sul, controlada pela Alliance Fleuve Congo. A logística de combate à doença é minada não apenas pelas balas, mas pela severa desconfiança da população local em relação aos profissionais de saúde, que muitas vezes são alvo de atentados. Além disso, a vulnerabilidade infantil preocupa: a ONG Save the Children revelou que crianças representam 25% das fatalidades confirmadas até o momento, indicando a urgência de medidas preventivas específicas para este grupo etário.

A crise logística dentro das unidades de saúde congolesas agrava o drama humanitário. Relatos de profissionais na linha de frente, especificamente na localidade de Butembo, indicam uma escassez total de insumos básicos. Há registros de hospitais operando com o estoque zerado de sacos mortuários, além da falta crônica de sabão, cloro e equipamentos de proteção individual (EPIs), como luvas e máscaras. Muitos médicos admitem ter de arcar com custos do próprio bolso para garantir o manejo adequado de cadáveres e evitar uma contaminação ainda maior. Embora doadores internacionais tenham prometido cerca de US$ 500 milhões para enfrentar a emergência, a lentidão na liberação desses recursos e os cortes em auxílios destinados a ONGs locais deixaram o sistema de saúde à beira do colapso no momento de maior necessidade.

Os próximos passos dependem diretamente da vontade política dos grupos em conflito e da mediação internacional liderada pelos Estados Unidos e países vizinhos. Tedros Adhanom Ghebreyesus deve visitar a região ainda esta semana para avaliar pessoalmente a gravidade da situação e reforçar o pedido de trégua humanitária. O impacto da crise já transbordou as fronteiras congolesas, com o sistema de refúgio em Uganda operando com o dobro de sua capacidade original devido ao êxodo de pessoas fugindo tanto da guerra quanto da peste. Para o leitor brasileiro, a situação serve como um alerta sobre como a instabilidade política e a negação de recursos básicos podem transformar crises de saúde tratáveis em emergências globais incontroláveis, exigindo uma cooperação financeira internacional que seja rápida e efetiva.

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