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O dia em que a ousadia cromática de Maria Esther Bueno parou o torneio de Wimbledon

A brasileira Maria Esther Bueno desafiou o conservadorismo britânico em 1962 com um uniforme assinado por Ted Tinling que quebrou as regras de branco total.

Redação 360 Notícia
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7 de julho de 2026 às 21:003 min
O dia em que a ousadia cromática de Maria Esther Bueno parou o torneio de Wimbledon
Foto: Reprodução
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Em 1962, Maria Esther Bueno desafiou as normas rígidas de Wimbledon com um detalhe rosa em seu uniforme, marcando a história do tênis mundial.

O torneio de Wimbledon é conhecido mundialmente não apenas pelo alto nível técnico de suas partidas de tênis, mas também pelo rigoroso conservadorismo em relação às suas tradições e normas de vestimenta. No entanto, em 1962, a lendária tenista brasileira Maria Esther Bueno desafiou as convenções da época ao entrar em quadra com um detalhe em seu uniforme que gerou um verdadeiro alvoroço na organização e no público britânico. O episódio, que envolveu o uso de uma peça íntima de cor rosa sob o tradicional vestido branco, tornou-se um marco na história da moda esportiva e na trajetória da maior atleta do tênis brasileiro.

Naquela edição do torneio, Maria Esther Bueno retornava às quadras após um período difícil de recuperação de uma hepatite, que a manteve afastada das competições por um tempo considerável. A expectativa sobre sua performance era enorme, dado que ela já havia conquistado títulos em temporadas anteriores. Contudo, o que roubou a cena não foram apenas seus golpes precisos ou sua elegância técnica, mas sim o design inovador de seu uniforme. Em um ambiente onde o branco absoluto era uma regra inquestionável, a aparição de um forro rosa choque sob a saia foi interpretada como uma ousadia sem precedentes para os padrões da década de 60.

O uniforme em questão foi uma criação do renomado estilista Ted Tinling, que era famoso por tentar humanizar e modernizar o vestuário das tenistas. A peça de Maria Esther Bueno contava com detalhes internos e uma calcinha especificamente desenhada em tom rosa vibrante. Durante os movimentos bruscos da partida, o tecido colorido ficava evidente para os fotógrafos e para os espectadores das primeiras fileiras. O escândalo foi imediato: a organização do All England Club considerou a escolha uma afronta à sobriedade do esporte, e a repercussão na imprensa internacional foi massiva, dividindo opiniões entre aqueles que celebravam a modernidade e os defensores da tradição britânica.

As implicações desse episódio foram além de uma simples polêmica estética. Maria Esther Bueno, com sua postura firme e talento inegável, mostrou que a identidade de uma atleta poderia ser expressa também através da estética, sem que isso prejudicasse seu desempenho profissional. Naquela época, as regras de Wimbledon eram extremamente restritivas, e qualquer desvio do "total white" era visto como uma tentativa de desviar o foco da competição esportiva. O caso da brasileira forçou o comitê organizador a ser ainda mais específico em suas diretrizes de vestimenta nos anos seguintes, endurecendo as normas para evitar que cores vibrantes fizessem novas aparições nas quadras de grama.

Atualmente, o legado de Maria Esther Bueno é lembrado tanto por suas conquistas em Grand Slams quanto por sua coragem em enfrentar sistemas rígidos. O episódio da peça rosa em 1962 pavimentou o caminho para discussões futuras sobre autonomia feminina e o papel da moda no esporte. Mesmo com o endurecimento das regras de Wimbledon nas décadas de 70 e 80, a "Bailarina do Tênis" permaneceu como um ícone de sofisticação e vanguarda. Hoje, o tênis moderno discute com mais naturalidade as questões de conforto e estilo, mas as fotos daquela tarde de verão em Londres continuam a servir como um lembrete de que o esporte nunca esteve desconectado das transformações sociais e culturais de sua época.

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