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Mulher sobrevive a queda de penhasco após ser empurrada pelo ex em BH

Vítima passou 24 horas agarrada à encosta após ser jogada de uma altura de 50 metros pelo ex-companheiro em Belo Horizonte.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 06:003 min
Mulher sobrevive a queda de penhasco após ser empurrada pelo ex em BH
Foto: Reprodução
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Ana Cláudia Rodrigues sobreviveu a uma queda de 50 metros após ser empurrada por seu ex-companheiro de um penhasco em Belo Horizonte. Ela passou 24 horas agarrada à pedra e foi resgatada por helicóptero após a polícia usar sensores térmicos para localizá-la.

Um caso de extrema violência e resiliência chocou Minas Gerais nos últimos dias, após Ana Cláudia Rodrigues sobreviver a uma tentativa de feminicídio perpetrada por seu ex-companheiro. A vítima passou cerca de 24 horas pendurada em uma encosta íngreme em Belo Horizonte, após ser empurrada de um penhasco de aproximadamente 50 metros de altura. O relato, detalhado em entrevista recente, expõe não apenas a brutalidade do agressor, mas também a luta desesperada pela vida em condições adversas. Ana Cláudia conseguiu se manter viva ao encontrar um pequeno vão entre as rochas, onde permaneceu abrigada e imóvel durante toda a madrugada, enfrentando o frio e o medo de uma nova queda ou do retorno do algoz.

O crime foi meticulosamente planejado por Silvanildo Amâncio de Araújo, ex-parceiro de Ana com quem ela viveu por 12 anos. Conforme as investigações, o ataque começou logo cedo, quando a vítima seguia sua rotina diária de levar a filha à escola. Após o desembarque de um ônibus, ela foi rendida sob a ameaça de uma faca e obrigada a entrar no veículo do agressor. Câmeras de monitoramento registraram o carro entrando em um parque estadual na região de Brumadinho, na Grande Belo Horizonte. Durante o percurso, o homem proferiu ameaças contínuas, alegando que buscava um local "ideal" para que ela não tivesse chances de sobrevivência. Segundo relatos da própria vítima, ele chegou a descartar certos pontos do penhasco por considerar que a queda não seria fatal, até selecionar o local onde finalmente a empurrou.

A sobrevivência de Ana Cláudia é considerada um milagre pelas equipes de resgate. Durante a queda livre pelo despenhadeiro, ela narrou ter pensado em seus três filhos, o que lhe deu forças para lutar. Ao atingir um ponto de contenção natural na parede de pedra, ela identificou uma pequena abertura onde conseguiu "encaixar" seu corpo. Ali, ferida e em estado de choque, ela enfrentou uma noite de temperaturas baixas e exaustiva vigilância mental, temendo que qualquer movimento em falso a fizesse despencar no abismo. A vítima relatou que, durante a escuridão, via luzes ao longe e sentia pavor de que fosse o ex-companheiro retornando para finalizar o crime.

O resgate ocorreu apenas na manhã do dia seguinte, graças a uma operação complexa que envolveu o uso de tecnologia térmica por parte das forças de segurança. Um helicóptero da polícia, equipado com sensores capazes de detectar o calor corporal em meio à densa vegetação e ao terreno rochoso, localizou a vítima. As imagens da operação mostram o momento em que agentes avistam Ana Cláudia, que acenava debilitada. Um sargento que participou da ação descreveu o alívio mútuo no momento do contato visual. O agressor, por sua vez, fugiu para o norte do estado, mas foi capturado no mesmo dia. Ele confessou o crime às autoridades e teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva, respondendo agora por tentativa de feminicídio qualificado e sequestro.

Este trágico episódio reacende o debate sobre a eficácia das medidas protetivas e a segurança das mulheres em processos de separação. Ana Cláudia já havia denunciado o ex e solicitado proteção judicial poucos dias antes do atentado, evidenciando que o período pós-término é o de maior risco estatístico para a mulher. No Brasil, os números de feminicídio continuam alarmantes, com registros que apontam uma morte a cada poucas horas. Especialistas destacam que o comportamento obsessivo e o controle exercido por Silvanildo durante os 12 anos de união são sinais clássicos de relacionamentos abusivos que escalam para a violência física. Agora, em recuperação e amparada pela família, Ana Cláudia define sua sobrevivência como um "segundo nascimento" e reforça a necessidade de que outras mulheres não se calem diante das primeiras ameaças.

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