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Motoboy paraplégico recebe tratamento com polilaminina em Santos e apresenta melhora

Francisco Carlos Monteiro recebeu a substância experimental desenvolvida pela UFRJ após acidente em São Vicente; família relata ganho de sensibilidade.

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Redação 360 Notícia
22 de maio de 2026 às 09:003 min
Motoboy paraplégico recebe tratamento com polilaminina em Santos e apresenta melhora
Foto: Reprodução
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Um motoboy de São Vicente, que ficou paraplégico após um acidente de trabalho, recebeu uma aplicação experimental de polilaminina, proteína desenvolvida pela UFRJ. O tratamento busca regenerar conexões nervosas e já apresenta sinais iniciais de melhora na sensibilidade do paciente.

O motoboy Francisco Carlos Monteiro, de 57 anos, morador de São Vicente, no litoral de São Paulo, tornou-se o mais recente protagonista de uma esperança médica que envolve ciência brasileira de ponta. Após sofrer um grave acidente de trânsito que o deixou paraplégico, Monteiro recebeu, no último sábado (16), a aplicação de polilaminina, uma substância experimental desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O caso chama a atenção não apenas pela gravidade do ocorrido, mas pela rapidez com que a família conseguiu viabilizar o acesso ao tratamento, que ainda se encontra em fase de estudos clínicos e busca comprovar sua eficácia na regeneração de conexões neurais em lesões de medula.

O acidente que mudou a vida de Francisco ocorreu na madrugada do dia 12, enquanto ele se deslocava para realizar sua primeira entrega do dia na Avenida Presidente Wilson, em São Vicente. Profissional do setor de entregas há mais de duas décadas, ele sustentou a família pilotando motocicletas, atividade que sempre foi sua paixão. No entanto, uma queda cujas causas ainda são investigadas resultou em uma fratura na terceira vértebra torácica (T3). O diagnóstico inicial foi devastador: perda total de sensibilidade e movimentos dos membros inferiores. Encaminhado para a Santa Casa de Santos, o motoboy passou por procedimentos cirúrgicos para alinhar a coluna e descomprimir a medula, mas o quadro de paraplegia permanecia inalterado até o início da intervenção com o novo composto.

A polilaminina é fruto de mais de 20 anos de pesquisa liderada pela cientista Tatiana Sampaio, da UFRJ. Trata-se de uma proteína sintetizada a partir de uma estrutura encontrada na placenta humana, essencial durante o desenvolvimento embrionário para a conexão dos neurônios. No contexto de lesões medulares, a substância atua como uma espécie de "ponte" ou guia biológico, estimulando as células nervosas a criarem novos caminhos e contornarem a área lesionada. Embora os testes em animais e em pequenos grupos de humanos tenham apresentado resultados promissores, como a recuperação parcial de controle de tronco e até passos com auxílio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reitera que o medicamento ainda é experimental e está na primeira de três fases de testes clínicos necessários para o registro oficial.

A mobilização da família de Francisco foi determinante para que ele recebesse a aplicação dentro da "janela de oportunidade" bioquímica. Após lerem sobre um caso semelhante ocorrido no Espírito Santo, os familiares agilizaram a documentação necessária junto à Anvisa e à equipe de pesquisadores do Rio de Janeiro. Segundo Mariana Ferreira Monteiro Guedes, filha do motoboy, o processo de autorização administrativa levou apenas 72 horas, dispensando a necessidade de uma disputa judicial, comumente vista em casos de tratamentos de alto custo ou experimentais no Brasil. Três dias após a aplicação, Francisco já começou a relatar sinais de melhora, como a percepção de sensibilidade nas coxas e na panturrilha, além de calafrios em áreas antes inertes, o que trouxe um otimismo renovado para a equipe médica e para os parentes.

Para o leitor brasileiro, o caso de Francisco é um exemplo da relevância da ciência nacional e dos desafios enfrentados para transformar descobertas laboratoriais em tratamentos acessíveis. Atualmente, o protocolo autorizado pela Anvisa prevê testes oficiais em apenas cinco pacientes, mas a via de solicitações específicas tem permitido que outros indivíduos, como o motoboy de São Vicente, tenham acesso ao composto. O próximo passo de Francisco envolve um rigoroso e intensivo protocolo de fisioterapia, etapa fundamental para que os novos estímulos nervosos gerados pela polilaminina se traduzam em funcionalidade motora. Enquanto isso, a comunidade científica aguarda os desdobramentos dos estudos formais que podem, no futuro, mudar o paradigma do tratamento de traumas medulares no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada brasileira.

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